A ARQUITETURA DE CURITIBA COMO DOCUMENTO DE SUA HISTÓRIA

18 de março de 2015 por keyimaguirejunior

(Roteiro da palestra proferida no Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, em 17 de março de 2015.

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  * A IDÉIA DE “PATRIMÔNIO HISTÓRICO”: IPHAN. O “HA” VIROU “CULTURAL”. O CONCEITO SE AMPLIA, MAS A ARQUITETURA CONTINUA SENDO O PRINCIPAL ITEM, PELA LEITURA QUE PERMITE DA SOCIEDADE QUE O GEROU. UMA CONSTRUÇÃO É UM INVESTIMENTO PESADO DE CONHECIMENTOS, RECURSOS E CAPITAL.

  • VOU FALAR DE PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO, NO CONCEITO TRADICONAL, NÃO PORQUE REJEITE O MAIS AMPLO, MAS PORQUÊ FOI COM ELE QUE ME OCUPEI SEMPRE: A ARQUITETURA ENTENDIDA COMO O MELHOR , EMBORA NÃO ÚNICO, DOCUMENTO PARA A HISTÓRIA DE UMA SOCIEDADE E SUA CULTURA.
  • PORTANTO, ESTAREI USANDO COMO DIRETRIZ PARA ESTA EXPLANAÇÃO, A QUESTÃO: “AS ARQUITETURAS QUE ESTAMOS PRESERVANDO, NA CIDADE, CONTAM UM PANORAMA COMPLETO DA NOSSA HISTÓRIA?” EM OUTRAS PALAVRAS, SE EU TROUXER UM VISITANTE ESTRANGEIRO À CIDADE E LHE MOSTRAR NOSSO PATRIMÔNIO PRESERVADO DURANTE UM PASSEIO, POSSO DAR A HISTÓRIA DA CIDADE COMO CONTADA?
  • USAREI UMA PERIODIZAÇÃO DIDÁTICA QUE É CONSENSUAL EM TRÊS ETAPAS:

– PERÍODO COLONIAL, DO DESCOBRIMENTO ATÉ A CONJUNTURA DO FIM DO SÉCULO XIX E INÍCIO DO XX: MORTE DE ANTONIO FRANCISCO LISBOA, MISSÃO FRANCESA, INDEPENDÊNCIA POLÍTICA;

– PERÍODO DE ECLETIMO, DESSA CONJUNTURA ATÉ O FIM DO SÉCULO XIX E INÍCIO XX: ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO, PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA E SEMANA DE ARTE MODERNA;

– PERÍODO MODERNO, DESSA CONJUNTURA EM DIANTE. (AINDA É CEDO PARA PRECISAR OS FATOS QUE DETERMINAM O FINAL DO PERÍODO E INÍCIO DA PÓS-MODERNIDADE).

* COMECEMOS COM AS CONFIGURAÇÕES URBANAS E ARQUITETÔNICAS:

– O PERÍDO COLONIAL TEM SUA REPRESENTAÇÃO AO REDOR DO LARGO DA ORDEM, ARTICULADO COM AS PRAÇAS GARIBALDI, JOÃO CANDIDO, CEMITÉRIO MUNICIPAL, TIRADENTES, GENEROSO MARQUES, SANTOS ANDRADE, OSÓRIO E EUFRÁSIO CORREA E RUAS QUE AS LIGAM. SÃO RUAS BASTANTE DESFIGURADAS, PRINCIPALMENTE SEU PRINCIPAL ELEMENTO DE IDENTIDADE: OS PAVIMENTOS. EXISTE UMA “FARSA DA ACESSIBILIDADE”, QUE ESCONDE INTERESSES FINANCEIROS. A “MAQUIAGE” FEITA NÃO AS TORNA MAIS ATRAENTES.

PERCEBE-SE PELOS MAPAS QUE AS VIAS DE ACESSO VIRARAM RUAS E AVENIDAS. NÃO SEI COMO ISSO PODERIA SER FEITO, MAS É IMPORTANTE E DEVERIA SER VISÍVEL.

OS TESTEMUNHOS ARQUITETÔNICOS DO PERÍODO SÃO APENAS A IGREJA DA ORDEM E CASA ROMÁRIO MARTINS. NA SALDANHA MARINHO, AINDA ENCONTRAMOS ALGUMAS SEQUENCIAS DE CASAS IMPLANTADAS NO PADRÃO LUSO-BRASILEIRO, EU NÃO FICARIA ADMIRADO SE ALGUMA, AO SER DEMOLIDA, REVELASSE TÉCNICAS CONSTRUTIVAS ANTIGAS.

– O PERÍODO DE ECLETISMO AINDA DOMINA AS CONFIGURAÇÕES DA CIDADE, NOS LOTEAMENTOS QUADRICULADOS E CONVENCIONAIS. CORRESPONDE ÀS FASES DE ACELERADA EXPANSÃO URBANA POR CONTA DO CRESCIMENTO POPULACIONAL. MAIS UMA FARSA PERIGOSA: “JÁ TEM ESTRUTURA, PODE SER VERTICALIZADO E ADENSADO”.

NA ARQUITETURA, O SÉCULO XIX É O MAIS REPRESENTATIVO CULTURALMENTE, COM TRÊS VERTENTES PRINCIPAIS:

. O “MAINSTREAM” DA ARQUITETURA BRASILEIRA, ECLETISMO DE VERTENTE NEOCLÁSSICA E, MENOS INTENSA, NEOGÓTICA; QUE DOMINA NOSSOS LOGRADOUROS PRESERVADOS MENCIONADOS.

PARA O FIM DO PERÍODO, O JUGENDSTIJL E O ART-NOUVEAU.

. A ARQUITETURA DA IMIGRAÇÃO, UMA DAS MAIS IMPORTANTES NA NOSSA ESPECIFICIDADE CULTURAL:

– OS ALEMÃES, AINDA POUCO ESTUDADOS;

– OS POLONESES, MAL REPRESENTADOS;

– OS UCRANIANOS E SUAS IGREJAS;

– OS ITALIANOS SUBMERSOS NO KISCH DE SANTA     FELICIDADE.

. A ARQUITETURA DA MADEIRA, A MAIS IMPORTANTE E MAIS AMEAÇADA POR SUA FRAGILIDADE E PRESENÇA NOS BAIRROS DE PREDILEÇÃO DO IMOBILIARISMO. OS POUCOS EXEMPLARES PRESERVADOS – IPHAN, CASA DA ESTRÊLA, ERBO STENZEL SÃO TODOS ATÍPICOS. O “VILA DA MADEIRA” ERA UMA BOA IDÉIA, MAS ESTÁ ESQUECIDA.

. O PARANISMO, REPRESENTADO NAS CALÇADAS E EM TRÊS CONSTRUÇÕES.

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O PERÍODO MODERNISTA. A MODERNIDADE URBANÍSTICA VEM COM A IDÉIA DE PLANEJAR AS CIDADES, INICIALMENTE COM AGACHE, QUE SE FILIA ÀS IDÉIAS URBANÍSTUCAS DO SÉCULO XIX (BELO HORIZONTE E GOIÂNIA). DEPOIS COM JORGE WILHELM E SEU PLANO PRELIMINAR E O IPPUC. INTRODUZ A HIERARQUIA DE VIAS, O ZONEAMENTO DE USO E, PRINCIPALMENTE, ANTECIPA A QUESTÃO AMBIENTAL COM OS PARQUES. AMBIENTAL E PAISAGÍSTICA, TEMAS IMPORTANTES À IDENTIDADE URBANA. O ATUAL PLANO DIRETOR, DECORRENTE DELE, REPRESENTA A CONTEMPORANEIDADE NO SENTIDO DAS CONCESSÕES NEO-LIBERAIS AO PODER IMOBILIÁRIO E ECONÔMICO. O FUTURO MOSTRARÁ A FALTA DE IDENTIDADE CULTURAL, A “GLOBALIZAÇÃO” EM SUA PIOR FACETA. NÃO É CEDO PARA TENTAR SALVAR TESTEMUNHOS DA PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA NO ACERVO INTERNACIONAL E PARANAENSE NA BRASILEIRA.

        – O ART-DÉCO

        – KIRCHGASSNER E ARTIGAS

        – CENTRO CÍVICO, O MOSTRUÁRIO

CONCLUSÃO

– NOSSA PERGUNTA INICIAL – TEMOS SUFICIENTE DOCUMENTAÇÃO ARQUITETÔNICA DA NOSSA HISTÓRIA? – TEM RESPOSTA INCERTA: SE CONSEGUIRMOS FAZER SOBREVIVER UMA QUANTIDADE SUBSTANCIAL DO QUE RESTOU ATÉ AQUI – DO QUE AINDA NÃO PERDEMOS – É RAZOÁVEL;

– DEVE FICAR BEM CLARO QUE O MENCIONADO NESTA FALA É O MÍNIMO, HÁ MUITA COISA QUE DESAPARECE DIA A DIA E QUE É DE MUITO INTERESSE: CASAS DOS ERVATEIROS, PAISAGEM FERROVIÁRIA, INDUSTRIAL, CINEMAS E MUITAS OUTRAS – TODAS FORAM DEFINIDORAS DA SOCIEDADE E SOCIABILIDADE E NÃO PRECISARIAM DESAPARECER;

– A PRESERVAÇÃO DA ARQUITETURA TEM PARAMETROS INTERNACIONAIS PARA QUE POSSA SER LIDA SEM EQUÍVOCOS. OBRAS QUE IGNOREM ESSES CRITÉRIOS LEVAM A LEITURAS ERRADAS. EXEMPLO, A REFORMA RECENTE DO PALÁCIO IGUAÇÚ;

– HÁ ALGUNS ANOS, HOUVE NO IPPUC UMA SÉRIE DE REUNIÕES VISANDO FORMAR UMA LISTA DE EDIFICAÇÕES MODERNISTAS QUE SERIA IMPORTANTE PRESERVAR. ESBARROU NUM MECANISMO PERVERSO, O DO POTENCIAL CONSTRUTIVO, QUE PODE LEVAR A DEFORMAÇÕES AGRESSIVAS NAS ÁREAS RESIDENCIAIS.

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