DE MILANO A CURITIBA: A ÚLTIMA AVENTURA DO CORTO MALTESE

18 de janeiro de 2020 por keyimaguirejunior

GIBITECA 1982

Aí pela metade dos anos setenta, recebi meu brinde como assinante costumaz da “LINUS”: um baita cartaz – manifesto, segundo os editores – do personagem do Hugo Pratt.

Grande demais para a minha kitinete, guardei-o e, quando casou o Cortiano – celebrado band-leader da Casa de Tolerância – o fiz colar num painel, nas oficinas da Rossana Rugik. Afinal, como padrinho do casal, eu não podia deixar por menos!

O Corto ficou lá nas paredes burguesas do Champagnat por um tempo – e quando a Gibiteca de Curitiba foi inaugurada, em 1982, primeirona do planeta – pedi emprestado para decorar a pequena sala da Galeria Schaffer na qual foi instalada.

Coloquei um letreiro com adesivos, “Gibiteca”, a idéia era que participasse da comunicação visual do lugar.

Depois da inauguração, devolvi o cartaz, é claro – e nosso amigo ficou lá na cobertura da Ilha das Palmas por uma longa temporada, onde íamos visita-lo periodicamente. Entre felinos e até mesmo alguns humanos, num lapso de tempo de várias décadas, e politicamente incorreto – sempre fumando – Corto observou os acontecimentos ao seu redor: o mundo mudou e o digital tomou conta da humanidade.

GATTO EDSON 05

     No bojo dessas mudanças, o Cortiano resolveu mudar de vida: vai para o deserto de Mojave, morar numa caverna, vestido de pele de camelo e se alimentando de gafanhotos e mel silvestre. Essas cavernas são Patrimônio Natural Americano, é proibido colocar pregos em suas paredes, sob pena de pesadas multas – então o cartaz não pode ser levado para lá.

Assim, disponibilizado pelo proprietário, contatei o Fúlvio, afinal faz parte da História da Gibiteca. Com o acordo, eu a Marialba e o Momotaro fomos buscá-lo na Ilha das Palmas e o levamos ao Solar do Barão.

Onde, esperamos, ele gozará de profícua e respeitada aposentadoria – mesmo vivendo no Brasil – até o fim dos tempos.

DSCN2940

%d blogueiros gostam disto: