PASSEIO (RETROATIVO…) NO SHOPPING

26 de fevereiro de 2019 por keyimaguirejunior

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Evidente que um centro de cidade não comporta uma fundição, ainda que instalada antes de se pensar que uma tal coisa – ou na verdade, qualquer outra, inclusive um shopping – tem que ser muito planejada antes.

Vejam bem que não estou aqui fazendo História e sim crônica. Porque não é o caso de começar com a ferraria do Herr Gottlieb Müeller na Estrado do Assunguy em 1877. Contar e desenvolver a participação da indústria na Arquitetura da cidade – aliás seria muito bom se alguém fizesse isso; se fizeram, não fiquei sabendo.

É apenas para mostrar mais “achados” no meu arquivo de slides. Na época dessas fotos – aí pela virada dos anos setenta para os oitenta – dava prá pegar a câmera e sair documentando a cidade numa tarde de sábado. Agora, arrisca de a câmera não voltar prá casa – e nem o fotógrafo…

Foi num passeio fotográfico desses, centrado no São Francisco e adjacências, que percebi a quadra dos Müeller vazia – ou vazio, estava o espaço interno. Com o céu curitibano visível através das janelas quebradas e portas e tapumes mal fechados. Pouca preocupação com segurança, típica dos tempos pré-neo-liberais…

As bucólicas ruas Mateus Leme, Inácio Lustosa e Barão de Antonina, com suas velhas árvores, proporcionaram essas imagens simplórias e sem finalidade imediata, pura mania de “carregador de câmera fotográfica compulsivo”. Uma porta de tapume mal fechada convidou a uma espiada no interior. Talvez uns dias antes, durante a demolição, pudessem ser documentados aspectos estruturais internos, de interesse por serem em madeira. Mas trabalhadores no local significaria sair atrás de autorização, explicar meus sórdidos propósitos de documentar a memória da cidade e toda essa chatice de país burocrático que deixa incendiarem sua memória.

Hoje essas fotos – principalmente as internas – em nada evocam os espaços de lojas desenhadas para o apelo consumista existentes e conhecidos de todos.

E o quê eu queria de um shopping?! Bem… talvez que uma dessas magníficas colunas de madeira, tecnologia do início do século XX, houvesse permanecido no centro de uma praça de amenização de tanto corredor.

Com uma placa: “Sic transit gloria mundi”.

MUELLER IRMÃOS CF JAN 1936

Publicidade na revista “Correio dos Ferroviários” de janeiro de 1936.

 

 

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