A TRILHA NA ENCOSTA DO FUJIYAMA

30 de outubro de 2018 por keyimaguirejunior

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Deve existir um caminho assim para todos os mortais.

É percorrido não com angústia e tristeza, como quem vai para um fim desconhecido, nada de insegurança nem desespero. Ao contrário, é um sentimento de realização, tipo missão cumprida, fiz o que pude. Não dá prá ficar ocioso, me sentindo sobrando, vou adiante ver o que há.

Um caminho com uma paisagem sempre bonita diante dos olhos cansados: vales, montanhas, rios, lagos, campos com capões de mato e muitas muitas muitas florestas. Muitíssimos bichos, passarinhos principalmente, mas também animais de todos os portes: botam a cara entre as plantas à beira do caminho, olham com curiosidade quem está passando e voltam às suas ocupações.

É um caminho plano, sem subidas íngremes, afinal é para velhos, embora não só. A gente já largou na entrada todas as bolas de ferro, correntes de aço, algemas que durante a vida foram nos obrigando a carregar. Agora, é sem lenço, sem documento, sem câmera, sem mochila, sem nada – a gente anda e pronto, só isso… A trilha é pavimentada de pequenas pedras formando desenhos, boa de pisar, limpa e regular. Andar consiste apenas em colocar um pé diante do outro, nada de esforço e muito menos cansaço. Não se sente fome, apenas sede para a qual há muitos regatos de água da serra, fresca, saborosa, revigorante, refrescante.

Toda gente tem direito a uma companhia nessa caminhada, no meu caso, escolho uma matilha de cães: sempre alegres, doces, amigos.

O cansaço acumulado durante a vida vai se esvanecendo, parece um clima de sonho, mas é mais palpável. A pessoa fica progressivamente mais leve de corpo e de alma, uma sensação de felicidade e realização.

Depois de uma curva, abre-se um panorama imenso, a gente tem que parar prá ficar sentindo o vento e os sons. A terra com todas as suas formas, cores e texturas se prolonga até o horizonte, se une ao céu: os infinitos se encontram.

A leveza é tanta que parece possível voar, e de fato a gente voa mesmo, voa leve como folha que cai da árvore: no final do percurso, é mais uma folha que caiu à beira do caminho…

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