A CASA DA PEDRA DA FIGUEIRA

29 de julho de 2018 por keyimaguirejunior

     Um passeio pela praia está no post “Uma praia catarinense: Armação de Itapocoroy”, arquivos de março de 2014, neste blog.

     O terreno duplo em que foi construída a casa, na chamada Praia do Poá, adquiriu-se em novembro de 1967 do Sr. Desmosthenes Bornhausen. Este pretendia, originalmente, ter no local um clube de pesca. O alvará de construção foi expedido pela Prefeitura Municipal da Penha em julho de 1971, e construída no mesmo ano. A sede municipal dista cerca de 20 quilômetros de Itajaí, e na época nem se cogitava do grande parque turístico atualmente existente.

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     Os condicionantes do projeto foram, principalmente:

– a proximidade do mar que, nas marés mais cheias, chega ao portão da casa. Originalmente, não existia a pequena praia em frente – ela surgiu com a retirada de pedras para o muro e deslocamentos que geraram um canal para facilitar a chegada de pequenas embarcações ao abrigo interno da casa.

– a estrada dos fundos, que vem da Penha, passa pelo núcleo da Armação e pelo Poá, seguindo para a Praia Vermelha e, mais adiante, Gravatá.

Em 1973 (data precisa não localizada), foi publicada na “Gazeta do Povo” foto de um OVNI, com a legenda de que se tratava da Praia Vermelha. No entanto, a configuração do terreno mostra claramente tratar-se do Poá. Outras pessoas relataram avistamento de OVNIS a partir do local.

– entre a estrada e a praia (maré alta) há um desnível aproximado de seis metros.

A face leste do terreno faz ângulo próximo de 20º com a linha Norte/Sul. A casa foi localizada paralela à divisa Sul do terreno, por aí estar a maior área plana e para liberar a outra metade para o bosque. Com isso, não foi necessária muita movimentação de terras, mesmo para a rampa de acesso a partir da estrada.

A elevação para o mar teve prioridade na definição das aberturas: todos os quartos do sobrado e as salas, de refeições e estar (espaço único integrado) abrem totalmente para a vista. Ao lado das salas, fez-se abrigo contínuo, prevendo a chegada de embarcação pela frente e do carro por trás.

Sendo o nível superior ocupado apenas pelos quartos, voltou-se para os fundos um grande telhado, protegendo a casa da poeira e do ruído da estrada. Internamente, essa cobertura deu origem a um pé direito duplo, em sacada diante dos quartos sobre a garagem e melhorando a ventilação.

A distância e dificuldade de acesso dificultaram o acompanhamento da execução, do que resultaram várias deformações e impropriedades desnecessárias. Da mesma forma quanto ao mobiliário e equipamento: embora em linhas gerais tenham sido mantidas as indicações do projeto, o marceneiro introduziu suas próprias idéias. Nos espaços da “torre hidráulica”, banheiro e cozinha/copa, são perceptíveis os erros de dimensionamento na execução. Outras deformações posteriores, como a transformação em lavanderia do espaço destinado aos equipamentos de pesca, ao lado da escada, contribuíram para deformação do conceito original.

Também a circunstância do lugar ermo e da bandidagem dominante no país levaram a várias alterações: permanecendo fechada na maior parte do tempo, os arrombamentos para roubo são freqüentes. Projetou-se uma casa para férias e repouso, o que resultou foi uma fonte de preocupações. O lazer  se torna inviável em vista da dificuldade de manutenção da segurança.

O paisagismo foi executado pelo proprietário e sua família. Consta basicamente de uma mureta sinuosa que “contém” o bosque, separando-o da área plana horizontal da casa. O nível das salas é compatibilizado por dois degraus gramados e rampa de areião da praia em frente.

Observação: as formações rochosas que, com intervalos irregulares interrompem a faixa de areia da praia, têm nomes que talvez se estejam perdendo. As pedras diante do terreno , são – ou pelo menos eram – chamadas de “Pedra da Figueira”, de onde adotei o nome para a casa.

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