OS TÚNEIS CURITIBANOS. DE NOVO.

25 de maio de 2017 por keyimaguirejunior

YO NO CREO EM TÚNELES, PERO QUE LOS HAY, LOS HAY.

Key Imaguire Junior

Num distante sábado invernal,  há mais de meio século, o que era apenas curiosidade adolescente, tornou-se um abacaxi para toda a vida. Com uma câmera sem muitos recursos, emprestada pela  Escolinha de Arte do Colégio Estadual do Paraná, fui com primos e amigos explorar uma construção subterrânea dentro da nossa “área de atuação”: Mercês.

As imagens resultantes dormiram em meus arquivos durante décadas – até que, numa arrumação, encontrei-as e ofereci à Gazeta do Povo, que publicou matéria a respeito.

Desse momento em diante, alguns fatos ocorreram comigo, entre os quais uma graduação em Arquitetura e pós-graduação em História – e que me tornam muito reticente com relação à quantidade de pessoas que me procuram para confirmar suas teorias a respeito dos tais “túneis”.

Que, para começo de conversa, nem túneis são: entendo por essa palavra, um percurso subterrâneo entre dois pontos, e o que se tem entendido sob essa denominação, são construções das quais se conhece apenas uma suposta entrada.

De qualquer forma, aquelas antigas fotos apontam fatos curiosos, para os quais não tenho explicação a oferecer.

– o primeiro, era a existência da coisa em si. Não era um porão comum, nem uma adega, nem um boteco extravagante, nem um abrigo antiaéreo. Tinha cara de esconderijo – mas quem se daria ao trabalho de construir um elaborado esconderijo num lugar e tempo onde de qualquer modo, já estaria oculto de olhares curiosos?

– o segundo, é a falta de motivação para criar um esconderijo em lugar tão ermo. Fala-se em piratas, jesuítas, faltam ainda ETs – mas o mais sagrado axioma dos historiadores, diz que “sem documentos, não há História”. E não existe qualquer referência, próxima ou distante, segura ou insegura, capaz de permitir essas suposições, piratas ou jesuíticas que sejam.

Só vejo motivação plausível na existência – essa sim comprovada – de um leprosário no local ou imediações. O pavor que a lepra despertava nas pessoas, fazia com que os doentes fossem corridos de algumas  cidades a pedradas – também é fato conhecido. Temos então aqui um bom motivo para se criar um esconderijo.

– uma terceira incógnita: quem o construiu, entendia de construção. Soube resolver abóbadas com dimensões razoáveis e soube usar um sistema construtivo comum nos países do Prata e, ao que eu saiba, nunca usado em Curitiba: as bovedillas, com abóbadas utilizando trilhos de trem na estruturação. E tecnicamente bem feitos, para complicar.

Não se trata de lenda urbana: fui, vi e fotografei. O problema é com as interpretações hiperbólicas que a coisa está recebendo: não passa muito tempo sem alguém me ligar para ver se me extrai alguma informação ainda não publicada. Sinto decepcioná-los, tudo o que sei já foi repassado, inclusive para este trabalho do jornalista André Wuicik.

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O livro pode ser adquirido do autor: andre.wuicik@gmail.com

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