DE VOLTA AOS CONCURSOS DE ARQUITETURA

22 de março de 2017 por keyimaguirejunior

Posts anteriores sobre Concursos de Arquitetura:

05/2013: “Buracos negros na História da Arquitetura no Paraná”

09/2013: “Tradição curitibana em concursos de arquitetura”

Referência: matéria na Gazeta do Povo de hoje, 22/03/2017

 

Marx e Weber demonstram: além de não ter ética, o capital – ou pelo menos seus donos – não têm estética.

O panorama da Arquitetura que se pratica hoje no Brasil é de uma mediocridade assustadora. Cadê os Niemeyers, os Artigas, os Reidys?! Evidente que os próprios já deixaram de se incomodar com mercado de construção, mas sua herança é forte e deveria ser perceptível nas nossas cidades, em obras de seus herdeiros profissionais.

O que vemos por aí é a confirmação de que estamos condenados a uma eterna retaguarda na cultura do planeta: marcha-à-ré, negando uma tradição de cinco séculos – não contínua, que seria privilégio de países com cultura milenar. Mas temos nossa presença: em pelo menos três momentos, estivemos à frente de todo mundo, literalmente.

O Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR surge no início dos anos sessenta e se consolida rapidamente: o crescimento da cidade exigia profissionais de projeto. O que é entendido pelos seus organizadores que, sobre um currículo proposto inicialmente por Lucio Costa (é, tivemos essa honra!) desenvolveram um curso com ênfase na área de projeto. As disciplinas teóricas não deixaram de ser contempladas – muito embora só tenham adquirido mais presença quando o desenvolvimento acadêmico brasileiro o permitiu.

Alguns professores da área de projeto já tinham experiência em concursos de Arquitetura e é precisamente um concurso – o do Santa Mônica Clube de Campo – que os vai trazer à cidade. Formar um corpo docente para um curso novo, vai trazer profissionais jovens das Escolas de Arquitetura consolidadas no país: além de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.

A semente cai em terra fértil, e a participação nos concursos nacionais vai ser um dos caminhos de afirmação da profissão em uma cidade que não sabia – e que parece, em seu mercado, continuar ignorando – do que se tratava.

Esse contexto é muito rico e não cabe nesta crônica – mas o CAU/UFPR, o recém criado IPPUC, uma geração de estudantes entusiasmados com a profissão, vai tornar a modesta Vila de Nossa senhora da Luz dos Pinhais de Curitiba uma referência com sua Arquitetura e seu Urbanismo.

As sucessivas crises econômicas, o descontrole sobre a explosão populacional urbanizada, se estende a todas as áreas da cultura – inclusive e até principalmente à Arquitetura, onde se investe muito e se quer retornos imediatos a qualquer custo.

No início dos anos oitenta do século XX, já se percebe um declínio na proposta de concursos. Foi nesse momento que, contando ainda com a presença dos “ganhadores de concursos” no corpo docente do CAU/UFPR, começamos um levantamento da participação dos arquitetos curitibanos, suas premiações contínuas demonstrando não se tratar de casualidade, mas realmente de competência.

O trabalho foi apenas iniciado – e contou com a participação das então monitoras Noemia Regina Buchmann e Maria Claudia Gomes. É um dos “buracos negros”, áreas pouco conhecidas na história da arquitetura paranaense.

Gostaria de deixar uma outra recomendação, que não sei se ainda é possível abordar: os TCC ou TFG, conforme se queira, apresentados pelos alunos do CAU/UFPR. Esses trabalhos demonstram claramente que a questão dos concursos sai de um clima acadêmico favorável, com propostas lúcidas, inteligentes e bem estruturadas, capazes de tirar a arquitetura da cidade – e do país, não se iludam – dessa deprimente pasmaceira.

CONCURSOS 1A

CONCURSOS 2A

CONCURSOS 3A

CONCURSOS 4A

ARQUITETOS 2

AÍ, PIAZADA!!!

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