FOGOS DE ARTIFÍCIO: PROIBIÇÃO JÁ!

29 de janeiro de 2017 por keyimaguirejunior

oncinha-foz

A irmã desta oncinha foi sufocada pela mãe, que tentava protege-la dos fogos de artifício do reveillon em Foz do Iguaçú. Que maneira idiota e agressiva de manifestar alegria!

(Foto da Gazeta do Povo, janeiro 2017)

      Todo mundo já viu isso: durante o foguetório de Ano Novo, pequenas matilhas de cães de rua correndo, em pânico, em busca de um abrigo onde seus sensíveis ouvidos sejam menos agredidos pela “alegria” dos humanos. Outros, apavorados, fogem de casa para nunca mais ser encontrados. Nem só eles: passarinhos se desesperam e saem voando sem rumo para serem colhidos por um carro ou se esborracharem contra uma vidraça, e outras agonias e mortes desnecessárias. Não só de animais, embora esses sejam os mais prejudicados – a corda rebenta do lado mais fraco. Mas são inúmeros os casos de pessoas feridas, queimadas e que chegam a necessitar de amputação por causa da “brincadeira”. É ainda uma agressão à atmosfera – que, sabemos, já está bastante prejudicada – e um risco de acidentes de vários tipos. Não se trata, portanto, só do estampido, embora esse seja a agressão mais caracterizada.

Um amigo chileno nos relatou que o pai montara uma fábrica de brinquedos – para ajudar a que as crianças deixassem de lado os fogos. Prova de que, quem lida com isso para ganhar a vida, pode fazer outra coisa menos perigosa. Relatos de alguns países – infelizmente ainda poucos – contam que a prática já foi banida, e ninguém sente falta.

O risco é reconhecido – tanto que nos estádios de futebol, já existe a proibição. Fora, o risco é ainda maior – assim como há “bala perdida”, há bomba perdida, aquelas hastes que caem em brasa sem que o soltador tenha controle sobre ela. Já tive um cachorro queimado porque um vizinho soltou esses rojões e a haste caiu no meu quintal.

Parece antipático ser contra a alegria – mas para chegarmos a ser civilizados, muita coisa, tida como normal, ainda tem que ser eliminada. Para ficar no lazer, raias, pandorgas e papagaios só podem ser admitidos em parques muito extensos, onde não haja proximidade de fiação elétrica. Balões de qualquer tamanho e tipo já são proibidos – embora ainda haja irresponsáveis que os fazem e soltam.

Mas, sinceramente, à parte o radicalismo com que defendo os animais, NÃO É POSSÍVEL que não existam meios de manifestar alegria sem ser agressivo. No Natal, não enchemos as casas de luzinhas, figuras e outros recursos para alardear o espírito festivo? No carnaval, não saímos pulando pelados na rua?! Quanta coisa há para ser inventada – e vá lá, para os chegadinhos em competição neoliberal – comercializada, e que seja segura e não agressiva?

Embora eu ache que leis com proibições não têm capacidade, sozinhas, para resolver o problema – se lei resolvesse os problemas, seria muito fácil colocar o país em ordem… – elas têm que existir, como passo importante no sentido da extinção total e definitiva dos fogos de artifício. No mínimo, para que se possa chamar a polícia para autuar infratores.

Depois que comecei a falar disso, soube que a fabricação desse material é controlada pelo Exército. Faz sentido, embora me pareça que essa pólvora de fogos artificiais é a mesma que os chineses inventaram há milhares de anos e não tem mais a ver com armamentos contemporâneos. Bem, talvez haja razões estratégicas para que a pólvora continue sendo fabricada – mas certamente, não é a ultra-necessária proibição e eliminação dos fogos de artifício que irá pesar nisso.

Crônica publicada no “Diarinho” de Itajaí em janeiro de 2017.

 

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: