BREVE NOTÍCIA SOBRE A REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA EM 1969

27 de janeiro de 2017 por keyimaguirejunior

 

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              “É espantoso que, no momento em que três homens voltam da Lua, uma simples Kombi seja motivo de admiração para grupinhos de crianças”

Esta anotação, em meu caderno – vício que nasceu comigo – mostra, em grande parte, o que era a Região Metropolitana de Curitiba em julho de 1969.

A pesquisa foi a segunda na qual trabalhei como estagiário do IPPUC. A primeira, foi o Plano Habitacional coordenado pelo arquiteto Almir Fernandes no ano anterior; e a terceira foi o Plano de Revitalização do Setor Histórico de Curitiba, em 1970, coordenado pelo arquiteto Cyro Correa Lyra. O pesquisador titular foi o agora arquiteto Eloy Silvestre Kockanny (o motorista também era Eloy); acompanhei como auxiliar/fotografo e houve participações eventuais das estagiárias Yuko Yamamoto e Norma Krieser. O coordenador foi o arquiteto José Vicente Alves do Socorro.

O objetivo da pesquisa de campo era mapear o uso das construções urbanas. Na tabulação anexa, menciono apenas as residenciais como dado mais representativo, mas foram marcadas também as comerciais e “outros” _ religiosas e oficiais. Imagino que esses números – interessantes na perspectiva histórica que adquiriram, quase meio século depois – possam ser consultados no IPPUC.

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     Afora algumas economias bem caracterizadas, os demais núcleos urbanos aparentavam economia agro-pecuária em escala doméstica, donde a presença de muitas mulheres na roça, conforme desenho.

As economias mais presentes, a partir das estradas de acesso, foram os fornos de cal e cimento nos municípios ao norte (Rio Branco do Sul, Colombo) com a decorrente extração de bracatinga. Havia também serrarias em Mandirituba e Campina Grande do Sul; granjas pontuais em vários municípios; cerâmica industrial em Campo Largo. Era notável a presença da RVPSC em Piraquara, antes que a hecatombe neo-liberal se abatesse sobre as ferrovias do país.

Não se pode deixar de mencionar que alguns municípios a leste contavam com belas paisagens rurais, com vista para a Serra do Mar (Quatro Barras, Campina Grande do Sul, Piraquara) e potencial turístico nas cidades do norte (Bocaiúva e Colombo) com grutas naturais devidas à configuração geológica. Eventualmente, a paisagem da nascente do Rio Iguaçú em Balsa Nova também teria esse potencial.

Em todas as cidades – e agora falo apenas da malha central, identificada e definida pelas fotos aéreas – sempre incomoda o que mais tarde vim a descobrir como regra para todas as cidades brasileiras de qualquer tamanho: o desleixo, o escracho, o aspecto decadente.

E que continua lá, prá quem quiser conferir, cinqüenta anos passados.

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Comércio ambulante na periferia de Curitiba

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Acampamento de ciganos na periferia de Curitiba

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Casa de taipa em Almirante Tamandaré

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Pinhal em São José dos Pinhais

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Aeroporto Afonso Pena em São José dos Pinhais

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Ruínas em Bocaiuva do Sul

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Escola Pública em Balsa Nova

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Torre da Igreja de Balsa Nova

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Casas de bracatinga e sapé em Rio Branco do Sul

As fotos não estão lá essas coisas, porque o equipamento era meio precário. E o laboratório, no banheiro da casa dos pais, também…

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