O SÃO FRANCISCO

22 de dezembro de 2016 por keyimaguirejunior

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SÃO FRANCISCO E EU

No vasto panteão dos santos católicos, São Francisco é, certamente, o mais prestigioso. “Antes”, Santo Antonio (que, na origem, era franciscano) tinha muito cartaz com as moças casadoiras mas, com o laicismo vigente, acho que perdeu terreno. Enquanto que São Francisco, com seu carisma de protetor dos animais, inicia até uma numeração papal…

Mas é uma biografia bem conhecida. Na Idade Média em que viveu, já havia uma geração de documentos razoável. Para minhas aulas sobre Barroco Franciscano, e querendo começar o assunto “da capo”, foi fácil encontrar livros que cobriam exatamente o que eu precisava saber – para construir a ponte para a Arquitetura Brasileira.

Seria uma tergiversação complexa para este texto, teorizar as questões de implantação urbana das edificações religiosas no período colonial. Mas o mais freqüente, é encontrar uma “Igreja de São Francisco” próxima à Matriz e áreas adjacentes; e as igrejas de NS do Rosário e São Benedito um pouco mais afastadas.

Na nomenclatura fácil e direta dos logradouros antigos, temos ruas (da Igreja de) São Francisco – e, como no caso de Curitiba, todo o bairro que envolve a rua.

Entende-se que, para poder mapear e planejar, foi necessário definir o perímetro dos bairros – mas sejam quais forem os critérios utilizados, não se procurou por uma compatibilização com a área do Setor Histórico, que recebeu desenho próprio imbricado, seja no São Francisco, seja no Central, seja – olha o perigo! – no Estrutural Norte. Assim, a área histórica da cidade – que comportaria também a denominação de “tradicional” – nasce excessivamente pequena, mesmo consideradas as extensões posteriores, sob denominação de Especiais ou outras. A área preservável em Curitiba deveria abranger não apenas o atual São Francisco como alguns bairros limítrofes – principalmente as Mercês. Não se fala de tombamento ou congelamento dessa área – mas de uma legislação que impedisse os abusos imobiliaristas, sobrecarga de estruturas urbanas que não foram pensadas para o automóvel, prédios e outras características da modernidade urbana. Que, sendo de nossos tempos neoliberais, obedecem apenas ao mercado e ignoram a cidade e seus moradores.

O processo, que academicamente tem o nome de gentrificação, pode ser visto de mais de um ângulo. O fenômeno decorre de alterações na estrutura urbana, social e econômica. Seu lado positivo é preservar, em parte, características da paisagem urbana. Mas requer constante monitoramento, para que novos usos não conflitem com os estabelecidos. Principalmente com a peça chave de qualquer região urbana, os moradores.

As tendências das modificações em curso devem ser objeto de constante pesquisa e estudo, para que possam ser dominados para o planejamento. Existe o risco de pensar que alguns problemas, que são nacionais, são regionais – e a adoção de medidas nunca será satisfatória.

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 Observação: o livro “O que é morar no São Francisco” está disponível comigo e com a Danielli Wal.

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