CONVERSA INTERCONTINENTAL SOBRE ANDREA CAMILLERI – 1

6 de setembro de 2016 por keyimaguirejunior

Omaggio al centesimo libro d’Andrea Camilleri, “L’altro capo del filo”

Conheci os livros de Andrea Camilleri pela recomendação dos confrades da Setemonos, entusiastas militantes de boa leitura. Na verdade, eu estava precisando de um autor do tipo que está escrevendo os livros pelos quais estou aguardando… Até recentemente, eram Gabriel Garcia Márques, José Saramago e Umberto Eco. Que foram pro andar de cima, como todos sabem. “Descobri” Orham Pamuk e Amoz Oz – faltava um… com a recomendação dos amigos, Camilleri entrou para essa seleta lista. Li a tradução para o português de “A Revolução da Lua”, seguido de outras traduções. Mas, sabem como é: tradutore, traditore… o melhor estava por vir: achei alguns no original que, mais que italiano, é siciliano: saborosíssimo, apesar de nem sempre muito fácil. Mas valem o esforço, linha por linha.

Comentei com um amigo italiano, Gianni Brunoro, esse novo gosto – para ficar sabendo que ele, além de crítico de quadrinhos, o é também de novelas policiais – e tinha, mesmo, produzido um interessante glossário para facilitar a leitura do autor. De imediato, me ocorreu que isso daria um ótimo post: acho que o Camilleri não precisa do meu aval, mas sua entrada na relação de escritores preferidos, merece uma marca. Aí está o resultado da entrevista – nos dois idiomas, para facilitar.

OLLY,KEY,GIANNI

Fotografia da Marialba, em 2006, na cozinha da Vila Brunoro, Padova. Da esquerda para a direita, o designer lígure Pier Paolo Olivieri, eu e Gianni Brunoro.  Ele é formado em Geologia e abandonou a profissão, preferindo lecionar nas Scuole Superiori. Apaixonado pelos quadrinhos desde menino, se interessa por eles de forma teórica desde 1968. Ao mesmo tempo, tem uma forte atenção com a “paraliteratura”, em particular os gêneros policial e western. A respeito de tudo isso, já escreveu milhares de artigos.

Key Imaguire Junior. Alguns livros do autor italiano Andrea Camilleri, foram publicados também no Brasil, mas em todos os seus livros foram traduzidos para o português. Pode nos falar um pouco sobre ele?

Gianni Brunoro. Camilleri é um fenômeno literário de uma dimensão inexplicável, muito complexo para ser exposto em poucas linhas. Vamos nos limitar então a alguns simples pontos nodais, como indicativos parciais, de temas a serem aprofundados e desenvolvidos. Mas antes, gostaria de colocar uma premissa. Andrea Camilleri é um autor que escreveu e continua a escrever livros – principalmente, romances – de todos os tipos, temas, natureza, etc. Um autor, decididamente, “literário”. Mas tornou-se popular graças a seus romances “amarelos”. Esta denominação, eu gostaria de esclarecer. Em italiano, significa “romance policial”, com todas as nuances que caracterizam o “gênero”: mistério, barra pesada, “noir” – enfim, todos os tipos de romances baseados numa investigação. O “gênero” é chamado “amarelo” porque sua introdução, em larga escala popular, aconteceu em 1929, quando a coleção semanal “Il Giallo Mondadori”, publicada por essa editora, teve um sucesso notável. E como esses livros eram caracterizados pela capa amarela, desse momento em diante, todos começaram a se referir a esse tipo de literatura como “romances amarelos”.

(Temos no Brasil um fenômeno semelhante: a revista “Gibi”, de grande circulação, passa a designar todo o gênero história em quadrinhos.)

Key Imaguire Junior. C’è un autore italiano, Andrea Camilleri, alcuni dei cui libri sono pubblicati anche in Brasile. Non tutti i suoi libri sono stati tradotti in portoghese. Vuoi parlarcene tu?

Gianni Brunoro. Camilleri è un fenomeno letterario in qualche misura inspiegabile, troppo complesso per essere esposto in poche righe. Limitiamoci quindi a singoli punti nodali, corrispondenti a un semplice indice, e per di più parziale, di argomenti che dovrebbero essere approfonditi e sviluppati.

Innanzitutto vorrei fare una premessa. Andrea Camilleri è un autore che ha scritto e continua a scrivere libri – soprattutto romanzi – di qualsiasi tipo, argomento, natura, eccetera. Un autore decisamente “letterario”. Però è diventato popolare grazie ai suoi romanzi “gialli”. È questo termine, che vorrei chiarire. In italiano, il termine significa romanzo “poliziesco” in tutte le sfumature che caratterizzano il “genere”: sia mystery, sia hard boiled, sia noir, e insomma tutti i tipi di romanzi di indagine. Il “genere” si chiama “giallo” perché la sua introduzione su larga scala popolare è avvenuta nel 1929, quando la serie settimanale Il Giallo Mondadori, edita dalla corrispondente casa editrice ha avuto un successo dilagante. E poiché quei libri erano caratterizzati da una copertina gialla, da allora in poi tutti hanno cominciato a riferirsi a quel tipo di letteratura come ai “romanzi gialli”.

 

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