ACHEGAS ÀS COMEMORAÇÕES DOS 70 ANOS DO BIKINI

10 de agosto de 2016 por keyimaguirejunior

Tenho esse lado maniqueísta: o mundo é governado pelas forças do Bem e do Mal. Das encrencas entre eles, sobra sempre prá nós. Mas nesse momento, interessa que, quando as forças do Mal criaram a Bomba Atômica, as do Bem inventaram o bikini. Este post, mui humildemente, procura demonstrar que estamos do lado do Bem…

Começamos com um cartum demonstrativo de que a palavra certa é “bikini”: o tal de “biquíni”,  é coisa do Mal – no caso, representado pelo Asylo Brasyleiro de Lethras.

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Depois, vem a crônica de Paulo Mendes Campos, tirada de “O cego de Ipanema” (Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960), que fala da sensação ao se ver um bikini pela primeira vez.

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Pin-ups – das Fôrças do Bem – sempre usaram bikinis, e ornamentaram paredes com calendários, carteiras com calendários de bolso, versos de cartas de baralho, bolsos com caixinhas de fósforos… essas são da coleção da Marialba.

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Depois, matéria  contando numericamente como as forças do Bem e do Mal disputam as áreas cobertas/descobertas no corpo das moçoilas.

AH, OS MAIÔS!

(Traduzido de “L’Echo des Savanes” nº96, julho/agosto 1991. Matéria de Marie-Laure Winkler. Tive que dar umas encochambradas adaptativas da tradução, desculpem.)

Surgido no fim do século XIX, o traje de banho passou por algumas pequenas revoluções. Do maiô-espartilho dos anos 50, receoso de liberar o corpo feminino, ao fio dental dos anos setenta, que deixa explodir à luz do dia corpos adiposos cheios de celulite, os estilistas nem sempre estiveram preocupados com a estética. Sortes e azares da roupa de banho.

Com os banhos de mar, surgem as primeiras “roupas de banho”, com mangas e calças pelos tornozelos. Será preciso esperar pelos banhos de sol para ver expostos os braços e as coxas. Coco Chanel, que gostava de se bronzear em Deauville teve, entre as duas guerras, a idéia de emprestar das ginastas o maiô. A leve roupa de malha (de onde o nome “maiô”) continuava muito pudica, mas nas praias os bem-pensantes se amontoavam para ver pela primeira vez um traje que modelava o corpo das mulheres e, mesmo, expunha as coxas! Alguns anos mais tarde, as restrições aos tecidos fizeram as sereias, nossas avós, esquecer o traje que necessitava quatro metros quadrados de tecido de algodão (excluido o saiote) em favor do traje para o qual bastava meio metro quadrado de tecido fino.

Na verdade, toda a questão do maiô é uma questão de superfície – superfícies cobertas ou expostas – e de quantidade de tecido utilizada. Peguem suas calculadoras – com mãos firmes – e comecem não esquecendo que um metro quadrado (1m²) é composto por dez mil centímetros quadrados (10.000 cm²). Uma moça bonita (mas uma feiosa também) tem 1,75 m² de pele, portanto 17.500 cm² de epiderme. Podem acreditar, a medição foi feita por pessoal médico! O topógrafo notou mesmo que os órgãos genitais da senhorita, sexo e bicos dos seios, ocupavam apenas 1%, quer dizer, 175 cm². O restante, com toda a lógica e todo o pudor, poderia ser exposto ao sol e aos olhares, onde fosse o caso.

1955: o corpo se descobre

Os maiôs desenham uma silhueta sólida em seda ou cetim, terminando numa saínha que cobre o alto das coxas – usando, 4.000 cm² de tecido. Não facilita os movimentos, mesmo porque os sutiãs com barbatanas de baleia (normal nas praias) e fechos em zíper, incomodam o corpo ao menor movimento. É preciso agüentar! As mais liberadas preferem o efeito pregueado nas coxas – 5.000 cm² de algodão fino – que fazem o efeito da camiseta molhada ao sair da água. Algumas vaidosas optam pelo duas peças que deixa ver uma faixa de pele entre o enorme sutiã e o enorme calção. A economia de tecido é mínima, devido aos efeitos drapeados de bom gosto.

1958:  viva os sintéticos

O maiô cobre 4.000 cm² de pele. Dois anos mais tarde, um abalo violento: atordoados pelas experiências nucleares americanas no atol de Bikini, os estilistas lançam um maiô com 700 cm²: uma revolução.

E adeus baleias! Aqui está a lycra, que cola na pele! Ela não sairá mais das praias. O maiô continua pudico e sempre com 4.000 cm², mas o conforto comparece apesar das alças e saínhas.

1960: o umbigo

    Um pequeno bikini, assim batisado por conta das experiências nucleares no atol desse nome, entre 1946 e 1958. O pequeno duas peças durou enquanto duraram as experiências. Esse maiô, que não deveria esconder além do essencial, usa 500 a 700 cm² de tecido e às vezes mais, por cobrir não somente a frente como também as costas, contorna os seios, com barbatanas de baleia ocultas nas bainhas. De vez em quando, aparecem rendas e plissados. Mas, enfim, pode-se ver o umbigo.

1960: uma peça perfurada

Já que a lycra é aderente, pode-se praticar furos nela. O “uma peça” de 4.000 cm² passa a 3.000 graças a janelas na frente e nas laterais para mostrar mais um pouco de beleza. As alças se duplicam e ondulam, enquanto o umbigo é velado por redes de pesca. A quantidade de tecido usada é a mesma, não há aí muita vantagem – mas ajuda a sonhar.

1964: o monokini

Chegamos lá! Pode-se ver os seios! Mas, num lance malandro de imaginação, o costureiro se contentou em cortar a peça de cima em duas, como suspensórios, para evitar a queda. Usa-se aí de 2.500 a 3.000 cm² de tecido, muito pouco sexy e de pouco sucesso, menos nas piscinas que nas butiques.

1974: chega o Brasil

    O fio dental vem direto do Rio, e como diz o nome, forma um triângulo, e cobre apenas… o indispensável. Alain Bernardin, diretor do Crazy Horse, limitou com muita exatidão o que deveria ser coberto na anatomia de suas colaboradoras. Deveria ser um triângulo isósceles  com 15 cm de base por 15cm de altura. Os fios partem das laterais e se encontram atrás e no meio, estão me acompanhando? Mas esses 112 cm² podem ainda parecer muito, mesmo que obriguem a constantes depilações.

1980: liberando o campo

    O maiô mergulha no fundo do dorso. A entrepernas afina, obrigando sempre às depilações. A traseira enfim se encontra toda ao ar livre. Apesar do pouco tecido que resta (menos de 2.000 cm²), é a volta do maiô de uma peça, estilo esportivo desnudante, que puxa forte na região do sexo e alonga as pernas até a cintura.

1991: com vocês, os centímetros

    Não é fácil calcular a área de um maiô vestido. Depois de eliminar alguns ganhos anti-celulite aquáticos (5.000 cm²) e outras áreas de pudor (2.000 cm²), tenha em vista a dificuldade para avaliar melhor a superfície de um fio-dental ou bikini. Você vai encontrar a necessidade de saídas de praia e pareôs, que escondem tudo mas que o vento levanta. A menos que você passe suas férias num campo de nudismo.

Seguimos com uma atualização que produzi num cartum do Belmonte, com os préstimos da modelo Rose di Primo, que consta nos anais das Forças do Bem, como inventora do bikini”tanga”. Revista dos anos setenta, acho que “Manchete”.

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E para concluir, o “Varal de Bikinis” ,na exposição comemorativa “70 anos do Bikini”, na PUC/PR, inaugurada a 09/08/2016, curadoria de Ivens Fontoura.

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