DESIGN DOS ANOS 50: O TRIUNFO DO FUNCIONALISMO.

29 de junho de 2016 por keyimaguirejunior

Todo mundo que tem uma peça meio vetusta em casa – tipo aqueles telefones pretos, como o nosso aqui, e que, até o advento do celular funcionou muito melhor que os ditos cujos – já escutou essa frase:

– Mas isso é peça de museu!

No que me concerne, a afirmação desqualifica culturalmente o autor por dois motivos:

– primeiro, museu não é necessariamente depósito de velharias ultrapassadas;

– segundo, porque acho abominável esse consumismo de ir “desapegando” das coisas ainda operativas porque surgiu outra mais tecnológica e que a gente é obrigado a engolir, mesmo que inferior às antigas.

Pois é, mas como nossa casa tem esse carisma de museu – desde quando éramos jovens… – volta e meia, alguém desova aqui seus presuntos. Coisa de que eu gosto uma barbaridade: principalmente, quando são livros e revistas antigos. Mas também objetos. Alguns exemplos:

. o prof.Oba chegou de carro e me entregou um “Cine Barlam”, coisa dos primórdios da animação, e do qual só conheço mais um, pertencente ao Tonhão Bührer, mas esse tem tudo;

. dna.Diva resolveu “desapegar” de uma Parker 71, que guardou por uns 40 anos;

. uma vizinha que cansou de uma mesinha de centro “pé de palito”.

Se eu tivesse realmente um museu, e disposição para sair catando coisas, em algumas áreas teria acervo prá competir com muito museu “de verdade”:

. objetos de uso doméstico, principalmente de cozinha. As duas coleções de cadeiras que já reuni, são grandes;

. objetos de desenho arquitetônico, aposentados pelos profissionais da área;

. roupas: tenho uma japona dos tempos do CEP que é famosa;

. brinquedos: indo no máximo até aqueles de lata, que vinham com uma chave para dar corda.

Mas eu gosto mesmo é de papel, sou um pré-virtual. Volta e meia ganho toneladas, que repasso para sebos ou outros colecionadores, depois de uma conscienciosa “peneirada”.

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Essas considerações surgiram por conta da doação de uma TV antiga, que ilustra este post. Mas desse tipo de objeto eu coleciono apenas as fotos. Além de não ocupar espaço, tem a diversão de fazer os registros…

Esse post não se pretende minimamente documental do design dos anos do meio do século passado. Apenas assinalam uma fase de coisas duráveis, de desenho apurado, e muita durabilidade, antes da invasão chinesa. Correspondem a uma fase muito interessante, de “eletrificação” das casas. Já li que surgiram muito por pressão das mulheres, que não queriam mais ficar trancadas em casa, lidando com tarefas secularmente atribuídas a elas. Tinham toda razão, é claro, e deram também um impulso ao desenho industrial do século. Acho que as senhoras mais exigentes foram as italianas, porque o desenho lá do stivalone ainda é imbatível.

A Arquitetura Moderna, que já era praticada desde os anos quarenta, trocou muita influência com o design: lembremos o famoso, pedante e irritante “a casa é uma máquina de morar”. Mas no design, pode-se afirmar com tranqüilidade:

– o liquidificador é uma máquina de liquidificar;

– o telefone é uma máquina de transmitir falas;

– uma máquina de escrever é uma máquina de formatar letras, tornando-as irrestritamente legíveis;

E assim por diante. Mas está totalmente abandonada a ornamentação, o objeto tem uma estética decorrente de sua função.

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Como já dito, este post apenas divulga parte da minha coleção de fotos de objetos, centrada mais ou menos nos anos cinqüenta. Como regra, foram comprados novos e permaneceram em uso até recentemente.

A bibliografia seguinte também procura centrar nos fifties, mesmo quando genérica.

A arte do comércio; SP 1930/1954. São Paulo, Senac,1989.

– Catálogo. Desenho industrial italiano. São Paulo, MASP, 1975.

– Catálogo. Firma Itália. São Paulo, MASP, 1977.

Cem anos de propaganda. São Paulo, Abril, 1980.

Christmas Vintage Holiday Graphics. Köln, Taschen, 2025.

51 u.s.industrial design. New York, Studio, 1951.

– KLINTOWITZ, Jacob. A Arte do Comércio; São Paulo 1930/1954. São Paulo, Senac, 1989.

– LINDENBERGER, Jan. The 50s & 60s kitchen: a colector’s handbbook & Price Guide. Usa, Schiffer, 1994.

– LIPPA, Mario & NEWTON, David. The world of small ads. London, Hamlyn, 1979.

– OSBORNE, Keith & BRIAN, Pipe. Beer labels mats and coasters. England, Hamlyn, 1979.

– TAMBINI, Michel. O design do século. São Paulo, Ática, 1999.

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