COMO ESCOLHER UM LIVRO…

23 de março de 2016 por keyimaguirejunior

…DURANTE UMA VIAGEM, PARA O PAI/SOGRO CHATÃO.

É preciso diferenciar, antes de mais nada, turista de viajante. A definição clássica diz que turista é alguém movido pela falta do que fazer – e o viajante, alguém motivado pela vontade de aprender. Queiram me considerar, por obséquio, na segunda categoria.

Portanto, um livro para turistas é do tipo souvenir, enquanto que o feito para viajantes, tem que ter conteúdo. Logo, a qualidade da informação é outra. Para o turista, bastam fotos enaltecedoras, para o viajante, são necessários mais elementos de compreensão , como­ mapas, plantas, desenhos, fotos antigas, detalhes. Um critério razoável, embora não exclusivo, é que o livro tenha autor. Caso contrário, pode ter sido produzido por algum departamento de turismo que, como regra é oficial. Bom, claro que um livro pode ser do tipo álbum de fotos, e nesse caso a qualidade fotográfica é que diz tudo.

O título pode dizer muito. Por exemplo, A Grécia Clássica não diz muita coisa, é muito genérico e superficial. Mas A escultura na Grécia Clássica do século V tem tudo para ser bom. Mas atenção para com os títulos acadêmicos, tipo Influencias subliminares da arte baixo minóica nas formulações escultóricas do período alcebidiano :  tem tudo prá ser uma chatice pedante.

Então fica assim-

1- um bom livro, como regra, tem formato de livro mesmo, uma quantidade razoável de texto, digamos uns 75%, e plantas, mapas, levantamentos, gráficos sem exagero, fotos antigas e atuais em tamanhos razoáveis;

2 – o livro álbum de fotos tem grande formato, normalmente não mais de 5% de texto e vale só pela qualidade das imagens, muito photoshop não é bom sinal;

3 –  na ordem de preferência civilizatória, os idiomas podem ser italiano, francês, espanhol, português, e até mesmo latim é dá prá encarar; como última opção, serve até inglês;

4 – alguns bons temas são: Arquitetura, Arte ( pintura e escultura), Artes gráficas (gibis, cartuns, cartazes), Arqueologia, Literatura (em edição bilingüe, o original com um dos idiomas mencionados), biografias históricas de cidades e de artistas, patrimônio cultural, mesma recomendação quanto ao idioma;

5 – temas abominados: todo e qualquer tipo de esporte, desgraceira (por exemplo guerra), carros, misticismo e auto ajuda.

Mas deve prevalecer o bom senso: sempre é melhor investir num livro do que numa porção de folhetinhos. E nenhuma das regras acima é absoluta: por exemplo, pode haver um bom trabalho produzido por um departamento de turismo oficial…

100_8225

 Eu na entrada da Biblioteca Laurenziana, em Firenze. O projeto dessa  entrada é do coleguinha Buonarrotti. Foto da Marialba, 2015.

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: