O ARQUITETO MINEIRO E O FOTÓGRAFO ALEMÃO

2 de março de 2016 por keyimaguirejunior

(Um álbum de fotos do início do século XX)

CARAJAS BANANAL

         Foi numa dessas fases de terrorismo legislativo explícito, quando o neoliberalismo levou as universidades públicas brasileiras à perda de professores qualificados, donos de uma experiência que deveria ter sido usada para aprimorá-la – e foi desperdiçada.

No Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná, não foi diferente. Entre as primeiras perdas, estavam os primeiros professores do curso, os “pais fundadores”. Entre os chegados para o início do curso, numa equipe composta por professores de Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e depois Rio de Janeiro, estavam os mineiros Armando Strambi e Marcos Prado, este já falecido.

Conheci o prof. Strambi na disciplina de Composição V – coube a ele encerrar minha conturbada trajetória de aspirante a arquiteto. Mas o conheci também nas funções de presidente do CREA/PR e Chefe do Setor de Tecnologia da UFPR.

Mas, como eu ia dizendo, na iminência da aposentadoria induzida – eu alinhei com os “heróis da resistência”, que ficaram para o que desse e viesse – o prof. Strambi deve ter feito uma depuração em suas estantes pessoais. Achou coisas que não lhe interessavam guardar e, num saudável exemplo, lembrou do colega aqui, meio-bibliófilo. E me agraciou com algumas preciosidades bibliográficas.

Entre essas, um port-folio do qual sabia apenas estar com ele havia tempos.

GARIMPEIRO

     A capa é um bico de pena com perspectiva da Praça da Liberdade de Belzonte, com o título/dedicatória “Von Thren Freunden in Belo Horizonte”. Nenhum indício de data em lugar nenhum.

Todas as ampliações 11,5 X 16,7 montadas em cartão 20 X 28 cm, protegidas por papel cristal na frente e um papel escuro, milímetros maior que a foto, por trás, formando elegante moldura: serviço fino, coisa do tempo de d’antes…

O título da foto a lápis, embaixo à esquerda, e a assinatura à direita – numa bela porém quase sempre ilegível caligrafia a lápis. Parece-me decifrar “Fritz Christiano”. Ao pé do cartão, mais indicações, que desisti de tentar entender.

Quanto aos temas, o primeiro grupo de fotos – 12 – retrata índios Carajá da Ilha do Bananal e alguns – 2 – tipos populares, “Garimpeiro” e “Goiano”, este fumando palheiro. As demais fotos, 7 – prá mim, as melhores – retratam animais. Só quem já praticou o tema sabe a paciência e os ardis necessários para aguardar os modelos se colocarem nas condições ideais de luz e pose. Pensando em equipamento pré digital, de talvez um século atrás, então… A única paisagem é um “Pôr-do-sol na Ilha do Bananal”.

Vê-se que o alemão deu uma bela passeada pelo Brasil. E deixou um registro interessante, apesar da ausência de data e de algum texto minimamente esclarecedor.

Há tempos, encontrei o prof.Strambi na rua, e ele se declarou leitor assíduo do Keynews. Espero que ele ache as referências à sua pessoa contidas neste post…

JABURU PESCANDO

     A quem interessar possa, tenho depoimento do prof.Strambi e mais onze professores dos inícios do Cau:

– IMAGUIRE Junior, Key. Fontes para o estudo da Arquitetura no Paraná. I: Fontes orais: História do Curso de Arquitetura e Urbanismo. Curitiba, 1987. (Original dactylographado)

 

 

 

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