POEMA PER SAVONA

24 de setembro de 2015 por keyimaguirejunior

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S A V O N A

Pier Paolo Olivieri

Sto in questa parte della città
macchiata già di verde
dal grembiule dei boschi e strappata delle montagne.
E’ un posto mediamente quieto,
a parte gli strazianti fine settimana “musicali”
della Società di Mutuo Soccorso
(catechismo marxista per ballerini,
all’insegna del ‘come eravamo’)
dove affluisce molta gente intonacata.
Vive da queste parti
anche quel simpatico ragazzo
che atterra verso l’una di notte
con la sua auto bianca
e la musica a tutto volume,
poi spegne tutto, sbatte la portiera, fischietta.
Penso che sia un principe,
i piedi che lo portano
quasi non toccano terra.
Qui la cosa che amo di più
è un treno che s’apre la via tra le case
e sfiora casa mia con un fischio rauco,
da falco.
Terrorizza i piccioni
che scappano sui tetti
al riparo tra i comignoli spenti
lasciando una scia di piumini
come la prima neve di Natale.

Olly 2

S A V O N A

Tradução Key Imaguire Junior (Ligure onorario)

Moro nesta parte da cidade

já manchada do verde

da franja dos bosques, retirada à montanha.

É um lugar medianamente calmo

menos nos torturantes fins de semana “musicais”

da Sociedade de Ajuda Mútua

(catequese marxista para bailarinos,

sob o pretexto do “como éramos”)

e para ali aflui muita gente maquiada.

Vive nessas imediações

também aquele simpático rapaz

que chega à uma da madrugada

com seu carro branco

e som a todo volume,

depois apaga tudo, bate a porta e apita.

Acho que é um príncipe,

os pés que o conduzem

quase não tocam o chão.

O que aqui mais gosto

é de um trem que passa entre as casas

e tangencia a minha com um assobio rouco,

como um falcão.

Aterroriza os pombos

que fogem por cima dos telhados

e se escondem nas chaminés apagadas

deixando um rastro de peninhas

como a primeira neve do Natal.

Olly 3

Fotografias de Pier Paolo Olvieri

SAVONA LA DOLCE

Meu pai costumava dizer que, o melhor lugar para se viver, é aquele que nunca está nos noticiários… afirmação bastante relativa e pouco generalizável, mas que me ocorre quando lembro de Savona.

Até então era, para mim, um ponto no mapa, próximo de Gênova. Gênova, todo nascido em continente americano já ouviu falar – é “Genova, la Superba”, e sua vizinha deveria ser “Savona la Dolce”.

As primeiras tribos lígures chegaram ao local há mais de 150 mil anos – mas segundo li, foi a partir das Guerras Púnicas – Delenda Cartago! –, em 205 AC, que a aldeia se consolidou e cresceu. Como todas as cidades mediterrâneas, tem uma história densa – principalmente, de violência, saques, invasões. A proximidade da poderosa e Soberba vizinha tinha seus inconvenientes… mas já na Idade Média era peça importante no cenário comercial, com mais de cinqüenta torres de avistamento. No mapa, fica fácil entender sua presença estratégica, no centrão do Mar da Ligúria. Na desde sempre complexa política européia, a rivalidade com as demais “citá marinare” é complexa e nem sempre harmoniosa.

A unificação italiana – 1861 – vai encontrar a cidade florescente e reurbanizada, uma beleza até hoje admirável mas que não foi perdoada pelos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Mais uma vez, recuperou-se, e hoje é importante no cenário industrial italiano.

O centro de Savona é uma rua ladeada por arcadas, formando galerias – muito comum no centro das antigas cidades italianas. Essa circulação coberta proporciona aconchego, uma sensação agradável de acolhimento, com um comércio de qualidade nas lojas. Sensação que permanece no centro antigo, com ruas de poucos metros de largura e praças do tamanho de um quintal. Aí há coisas que só guiado por um morador você identifica e frui…

Esse centro envolve o mar com antigas construções – mas o Modernismo já comete aí suas peripécias questionáveis.

E a cidade se estende pelas colinas ao redor – como em toda cidade que se preze, muita casa e pouco prédio. Mas é preocupante que já sejam vistos os inexpressivos volumosos adensantes palazzi que trazem consigo a degradação do entorno. Crime sem nome, numa paisagem ainda pontilhada de pequenas antigas igrejas, ruelas, pracinhas.

As cidades italianas ainda são predominantemente horizontais, inclusive as grandes como Milano e Roma. É o que explica sua beleza, fascínio e qualidade de vida. É uma pena que isso se perca para os interesses imobiliários, sempre afrontando a cultura e a população.

Savona 1Savona 2

Fotografias da Marialba, em 2012

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