ALMANAQUE DO GLOBO JUVENIL – O MAIOR DOS ALMANAQUES

1 de fevereiro de 2015 por keyimaguirejunior

  • A coleção

Consta de dez edições, de 1941 a 1951, faltando o de 1942. Por incrível que pareça, gastei muito pouco com ela. Mais da metade, ganhei do saudoso Gerson Guimarães. Um encadernador “gamela” substituiu as capas originais e ele, colecionador perfeccionista, ia jogar tudo no lixo. Sugeri que o fizesse na minha lata, e ele aceitou…

Depois, ganhei um do Domício Pedroso, comprei um baratinho de um amigo do Cortiano – enfim, só me falta o mencionado de 1942. Se alguém tiver um e quiser usar os préstimos da minha lixeira, está às ordens.

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  • O almanaque

O Almanaque do GJ circulou anualmente de 1941 a 1951 – foi a publicação mais saborosa, mais bonita da história do quadrinho brasileiro. Muito longe da pífia mediocridade dos atuais almanaques. Grandão – 29 X 37 centímetros, capa dura, muita cor. No fim do ano surgia em pilhas de um metro de altura diante da Ghignone, cada exemplar num envelope de papel craft.

Levá-lo para casa, era ter mais de 150 páginas de leitura – horas e horas de entretenimento, viajando por mundos de fantasia.

O único aspecto em que nossas revistas atuais são melhores, é na impressão da cor. O sistema de clichês então usado, um para cada uma das quatro cores, causava freqüentes desacertos nos registros, com resultados esquisitos…

AGJ 1

  3– Os quadrinhos

Para o nosso conceito atual, o Almanaque do GJ não era bem um gibi, nas suas primeiras edições. Como a maioria das revistas de sua época, a maior parte do conteúdo era de variedades: calendário, reportagens, curiosidades, publicidade, contos. Poucas páginas de quadrinhos mesmo – muitas histórias de uma página apenas – eram adaptação das “Sunday pages” dos jornais americanos, pontificando Pinduca, Popeye, Donald. As aventuras de várias páginas – quatro – eram poucas. Com o avançar dos anos quarenta, aumenta o espaço das histórias de sete/oito páginas – módulo dos “comic books” – para mais.

Essas contavam aventuras de personagens que foram bem longevos na história dos quadrinhos. A maior parte continuou sendo produzida e publicada até os anos sessenta: (Alley Oop) Brucutú, Li’l Abner, Radio Patrulha, Mandrake, Johnny Hazard, Captain Easy, (Zorro) Lone Ranger, Radio Patrulha, King da Polícia Montada.

Numa estimativa sem cálculo, os quadrinhos chegaram a ocupar metade da área total das páginas. Os anúncios não são muitos – o que faz supor a publicação sobrevivendo das vendas em banca. A maior parte eram os “small adds”, pequenos retângulos com moldura e uma ilustração simples. Mas chegaram à página inteira.

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     O conteúdo se completava com contos – freqüentemente, protagonizados por personagens das congêneres concorrentes. Alguns contos não têm autoria, ficando difícil saber se eram traduzidos ou da lavra de autores brasileiros, colaboradores da editora.

Os super-heróis comparecem com Super-homem e Batman, então Homem-morcego. Não entendo muito bem a presença da história “Gatinha Princesa” – infantil, num contexto claramente juvenil.

AGJ 2

4- Por quê eram tão bons esses almanaques?

É, assim no plural: nos anos quarenta e cinqüenta, circulavam anualmente vários bons almanaques. Meus preferidos, além do citado AGJ, eram o dos “Heróis” e o Vida Juvenil – cada um a merecer um post específico.

O “Dos Heróis” porque era, principalmente, “Das Heroínas”: Sheena, Nyoka, Cabelos de Fogo, Tigrana e outras que, mesmo não sendo titulares das histórias, enfrentavam as selvas africana e indiana de biquíni, mini-saia, short e salto dez… O almanaque dos Heróis parece que saiu apenas dois anos, 1948 e 1949.

Os da Vida Infantil e Vida Juvenil, menores que AGJ mas em papel couché e também capa dura. Os quadrinhos não eram apenas americanos, mas também brasileiros – Edmundo Rodrigues, Joselito, Renato Silva –  e italianos, de ótima qualidade: Caprioli, Gentilini, de Lucca.

Todos eles, além da qualidade em si das histórias e demais matérias, eram um produto caprichado, editorialmente bem elaborados para seu tempo. Que é o que os faz, ainda hoje, saborosamente apreciáveis…

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Pois é… tudo acaba, principalmente o que é bom… Na Europa, a tradição dos almanaques produziu, nos anos setenta, livros de espetaculares, como os da revista Linus. Adaptados aos recursos gráficos atuais e ao gosto dos colecionadores contemporâneos, resgataram em grande parte o espírito do Almanaque do Globo Juvenil…

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