13 LLISTAS DE GIBIS PREFERIDOS – 13, BRASILEIROS

14 de janeiro de 2015 por keyimaguirejunior

Essa lista me sai meio de má vontade: acho que o quadrinho brasileiro, numa vista geral, ainda não é o que deveria e poderia ser. Tem boas coisas e é evidente uma certa melhora nos últimos tempos – mas ainda falta muito para uma produção que possa ombrear com as grandes do planeta.

Coloquei grupos de autores, para a lista não ficar muito grande, e evitei nomes para não correr o risco de esquecer alguém.

OBRAS PRIMAS. Reconheço apenas três que são do tipo que não dá prá botar defeito: o Saci Pererê do Ziraldo, agora meio antigão, mas um clássico; o “Causos do Santiago”, bem recente mas primoroso; e os desenhos do Flavio Colin. Este alinha com os grandes do gibi no planeta, é da dimensão do Breccia, Pratt e Crepax.

OS PAULISTAS. O tipo de quadrinhos que eles praticam – tiras – se dá particularmente bem em São Paulo, dada a receptividade dos jornais de lá. Independente, portanto, de onde nasceram, moram e produzem. As tiras coloridas, com desenhos e temáticas bem autorais, ficam particularmente interessantes quando reunidas em álbuns, com melhor serviço gráfico, e possibilidade de leitura contínua.

OS CURITIBANOS. Os prefeitos da cidade, com suas gestões medíocres onde quem manda são os imobiliaristas, enterraram o “modelo de planejamento urbano” que a cidade já foi, dando exemplo seguido pelo país e famoso pelo mundo afora. Mas se o assunto for gibi, ainda estamos na frente. Já aconteceu a Grafipar, fizemos a primeira gibiteca do país, temos o grande evento que é a Gibicon, nossos autores produzem álbuns e revistas ótimos, com temas e cenários locais, têm propostas gráficas. É mais do que qualquer outra cidade brasileira tem a apresentar.

OS “ANTIGOS”. Desde Ângelo Agostini até a metade dos anos sessenta, quando me tornei leitor inveterado de gibi, muita tinta correu entre os cilindros das “machinas graphicas”. Aqui, além do receio de esquecer ou desconhecer alguém, tenho outro pretexto para não mencionar nomes: falta pesquisa. Se a cultura brasileira é um vasto buraco negro ( porque eles existem, sim, prof. Hawking! ), a história dos nossos gibis é um ( licença aí, prof…) um sub buraco: sabemos muito pouco. Embora coisas excelentes tenham sido publicadas recentemente, ainda há muito a ser descoberto – prá mim, uma coisa é conhecida depois de descoberta, estudada e publicada.

CIGARRA ABRIL 44 (2)CIGARRA ABRIL 44

Parceria pouco conhecida: Péricles “Amigo da Onça” com Vão Gogo (Millôr)

Tira Publicada em “A Cigarra” de abril de 1944.

OS “VIRTUAIS”. Tal como as tirinhas dos paulistas, só leio os virtuais quando eles transitam para o papel. Sei que tem muita coisa boa que só circula na web, mas entendo gibi como “arte gráfica”, isto é, coisa impressa. Tanto é que os autores internéticos produzem nas formas tradicionais para a gráfica: tiras e páginas.

OS “IDEOLÓGICOS”. Charlie Hebdô à parte, reduzir os quadrinhos a veículo de idéias políticas é como no comunismo stalinista, onde “a arte tem que estar a serviço da revolução proletária”. Não sou contrário ao gibi politizado, fui leitor fanático do Pasquim e devorei suas mil edições de cabo a rabo (Epa! Epa! diria o Jaguar). Mas a posição é que o gibi tem a dar à cultura humana mais do que reles politicalha.

Lobato quadrinista

Monteiro Lobato escapa por pouco de ser autor de gibi: essa história tem as proporções adequadas entre imagem e texto, além da sequencialidade.

PRODUÇÕES ESCASSAS OU MAL DIVULGADAS. Temos autores com trabalho excelentíssimo, mas escasso, produziram umas poucas páginas e foram fazer outra coisa. E nunca chegaram às bancas e livrarias curitibanas, nem aos veículos que os comentam. Talvez um dia eu faça um post específico sobre essa brava categoria de artistas.

ESTEVÃO 1ESTEVÃO 2

O genial, impiedoso, sarcástico, brasileiríssimo Carlos Estevão: pouco de sua grande produção foi republicado.

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