13 LISTA DE GIBIS PREFERIDOS – 11, TIRAS E ESPIÕES

25 de dezembro de 2014 por keyimaguirejunior

Não são um gênero que eu particularmente aprecie – nem como literatura pulp nem como HQ. Mas tanto o “giallo” quando a SF, só leio nos gibis. Esta lista nem estaria aqui, se não fosse pelo paradoxo: a melhor personagem da atualidade, a única que espero chegar às bancas com receio que o título tenha sido cancelado pelo mau gosto do leitor brasileiro, é a criminóloga Julia Kendall. De qualquer forma, é um dos temas mais recorrentes nos quadrinhos, e tem seus inquestionáveis bons momentos.

– THE SPIRIT. Will Eisner ironiza dentro do tema, usa os clichês com sarcasmo o inteligência. O expressionismo explícito e assumido do desenho, com forte carga de pessimismo – não exclui romantismo e poesia. É um clássico pleno – sempre original e refinado. Surgiu nos anos trinta,e não li os criações pós-Eisner – acho melhor deixar quieto.

– RIP KIRBY. É a obra da maturidade pós-guerra de Raymond. Sem os arroubos gráficos do Flash Gordon, mas com histórias bem construídas, personagens bem definidos e em situações bem aproveitadas.

– DICK TRACY. Tem um grafismo muito bom, com linhas fortes e definidas e muitos chapados, o que torna as edições em preto e branco preferíveis às coloridas. O esquematismo das situações foi satirizado por Al Capp em Fearless Fosdick – ídolo dos jovens americanos. Os vilões são primores de feiúra, e têm mortes compativelmente horrendas. Também começou nos anos trinta.

DICK TRACY

– X9 AGENTE CORRIGAN. Apesar de começado pelo Raymond, o melhor autor é Al Williamson, que lhe deu uma dinâmica à Bond, James Bond.

– BUCK RYAN. (do bretão Jack Monk). Gosto dessa história, pouco conhecida no Brasil, dos anos cinquenta. Não escapa dos lugares comuns inevitáveis no gênero, mas as peripécias são mais bem contadas, e o desenho é cuidadoso e detalhado.

SAM PEZZO. De Giardino, tira de nova geração – anos oitenta – , menos infalível, não dá socos demolidores, não tem pontaria infernal, nem o raciocínio rápido de uma raposa…

– DYLAN DOG. Dos bonellianos, é um gibi cult até onde acha espaço: o personagem é evidentemente a cara do compositor; o dr.Watson é o Grouxo Marx, as situações e referências a filmes e gibis são freqüentes. O desenho é variável em qualidade, mas consegue dar à ação um toque expressionista entre o sombrio e o tétrico. Surge nos anos oitenta e ainda circula.

MERDICHESKI

– MERDICHESKI. De Trillo e Altuna, argentinos. Na verdade, é uma sátira genial ao gênero: o cara tem uma mãe daquelas, que o espera na saída do plantão da delegacia com sandubas e café-com-leite… sentiram?! Anos noventa.

J.KENDALL

– JULIA KENDALL. O título no Brasil foi prejudicado por uma questiúncula jurídica: o nome já pertencia a um pulp de outra editora, que nem era gibi. Autores, Berardi e artistas bonellianos. A edição brasileira sai com o subtítulo que, conquanto necessário para caracterizar o gênero, não diz do interesse, da originalidade, do charme maior da história, dos quais a sósia da Audrey Hepburn é apenas o centro. A criminóloga de Garden City vive aventuras movimentadas, mas tem uma vida particular cheia de inusitados: mora sozinha numa bela casa burguesa, tem um Morgan sempre na oficina, uma governanta afro alucinada e dedicada, uma gata angorá, freqüenta sebos… É desenhada usando modelitos, que variam do pijama à discreta sensualidade possível a uma moça certinha de classe média…

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