NAVEGANDO NO “ENSEADA”

3 de dezembro de 2014 por keyimaguirejunior

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Conheci Sidónio Muralha aqui em casa – trazido por uma senhora da vizinhança. Ela achava que deveríamos nos conhecer – no que estava sobejamente certa – mas armou o encontro de um jeito que eu não sabia onde como nem quando direito.
Com ele, veio uma senhora com jeito de letã – que descobrimos ser tão “figura” quanto ele, obstetra que colocou no mundo mais da metade dos curitibanos, inclusive o Key San. A conversa desenrolou-se em “alfacês” – para surpresa do Orlando Azevedo, que compareceu num dado momento. E nós sem bacalhau para fazer uns bolinhos que acompanhassem o vinho do Pôrto…
Vários encontros foram na “casinha de campo” – sendo “campo” o Bom Retiro; e a casinha, uma pré-fabricada de madeira, rodeado por um jardim – muito justamente premiado como “o mais bonito de Curitiba”. E enfeitado, nessas bucólicas refeições dominicais, pela presença de Helena Kolody.

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Mas a maioria das minhas conversas com o Sidónio foi no Enseada – onde fazia ponto quase todas as tardes, muito à mão prá quem vem do Centro Politécnico e vai pegar o Jardim Mercês, e vê a conveniência de um chopp com bom papo antes de ir prá casa. Aproveito prá assinalar minha indignação pela desaparição desse bar/restaurante, onde havia pratos que só lá se encontravam.

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Aí escutei seus causos com a censura salazarista – que acabou por levá-lo a deixar Portugal e navegar para a África, é uma mania de português. As peripécias africanas, contadas em “Esse Congo que foi belga” – e ainda bem que escutei dele, porque é livro que ainda não consegui. E as brasileiras, que concluíram o roteiro começado em Portugal em 1920 e terminaram em Curitiba em 1982. Aí ganhei autografados quase todos os seus livros; os esgotados em Xerox. No Enseada ele me pediu para dar um visual às reedições que pretendia fazer do “Poema para Beatriz” (a filha) e “Valéria Valéria” (a neta) e “Cântico à velhice”. Neste, teve dificuldades para “caçar gralhas” no texto branco sobre fundo preto. Na fase dos “poemas em palitos”, desafiei-o com pazinhas de sorvete – que não lhe intimidaram a criatividade.

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Os poetas antigos achavam romântico morrer de tuberculose – os atuais, ao que tudo indica, de cirrose hepática. Mas, para uma pessoa de talento, não importa a “causa mortis” – sempre é cedo. Sempre poderiam ter produzido mais um poema, contado mais uns causos – coisas de que a cultura humana necessita tanto.

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