13 LISTAS DE GIBIS PREFERIDOS – 9, OS MELHORES GIBIS DO MUNDO

20 de novembro de 2014 por keyimaguirejunior

Vou falar aqui de gibi – não d’O Gibi nem de qualquer revista que contenha quadrinhos. Antes de mais nada, estão listados apenas os que li e conheci. Sabe-se a calamidade que é a distribuição de revistas no Brasil, tanto as aqui produzidas quanto as importadas. De cara, excluo as “revistas de personagem” – que da capa ao fim do miolo, contém apenas o mesmo, ainda que com intercalação de outro(s).

O bom gibi é uma aventura para o leitor: ele contém não menos de 75% de leitura em quadrinhos. Que podem ser contemporâneos ou incursões nos antigos, de preferência os dois, o importante é uma seleção pela qualidade. Sejam longas aventuras, publicadas em episódios, ou tiras de humor colecionadas ao longo de algumas páginas. O cartum é benvindo!

Deve conter um noticiário bem feito sobre o mundo quadrinhófilo – convenções, concursos, exposições, lançamentos na área – o que houver. Matérias mais extensas, artigos e reportagens – quando o assunto merecer ou se tratar material antigo, caso em que é indispensável situar o leitor. Contos também são compatíveis, desde que curtos e ilustrados – aumentam o tempo de leitura da revista, o que é bom.

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     LINUS. Pelo já dito, percebe-se que é o meu cânom de perfeição prá gibi: o melhor de todos os tempos! Italiana dos anos 60 e 70, foi um dos elementos importantes no resgate dos gibis; quando foi lançada, o dr.Wertham deve ter se revolvido no túmulo. Os suplementos também eram excelentes, tanto que foram solidificados na Alterlinus. Tinha concorrentes de peso – a Eureka e a Il Mago que seguiam, de perto ou de longe, a mesma fórmula. Circulou de meados dos anos sessenta até a década de setenta. Mudou para formatinho – e foi pro espaço; apesar de continuar sendo publicada, não tem o mesmo prestígio. O mercado italiano na época era o maior do mundo, e as versões da Linus todas tinham elevado padrão editorial: além das já citadas Eureka e Il Mago, havia a Comic Art, a Bancarella, a Eternauta, a Sgt.Kirk – não havia nem como acompanhar tanta coisa…

METAL HURLANT. Foi mais conhecida no mercado brasileiro pela versão americana, Heavy Metal, que começou a circular em abril de 1977. Trazia uma geração de desenhistas loucos e brilhantes como Moebius, Corben, Druillet – e o brasileiro Sérgio Macedo, além de muitos outros, então ilustres desconhecidos. Teve duas versões brasileiras, uma com o nome em inglês (1995) e a outra traduzida, Metal Pesado, de 1997.

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     SELECÇÕES DA BD. Portuguesa, ora pois, tendo como modelo e matriz a Pilote. Os portugueses têm uma boa tradição em gibis: Zacarella, Grilo, Mosquito – pena que de curta duração. De uma maneira geral, cultivam – e conseguem – uma empostação de gibi tradicional, seja no visual seja na escolha das histórias – não sei vocês, mas eu gosto disso…

ZEPPELIN. Espanhola de olho no mercado hispano-americano.Circulou a partir de 1973, e aprendeu lições da Linus. Tinha formato grande (24 X 34 cm) o que valorizava o desenho e torna a leitura mais agradável.

PILOTE. É difícil falar desse clássico francês. Na tradição da Spirou (de 1938) e da Tintim (1946), começa a circular em 1959, tornando-se a mais importante no gênero. O forte são as histórias de aventuras, publicadas em partes, que vão desde a “linha clara” dos belgas até o enlouquecido Stan Caïman e a maestria de Hugo Pratt. Mas é fértil em bons textos, reportagens, ensaios e experiências.

PHENIX. A revista é muito boa, mas tendo nascido dentro de um grupo de estudos, se ressente de “academicismo”, gibi prá intelectual da área de semiótica… Começa em 1966, gerado pela Sociedade de Estudos das Literaturas Desenhadas (SOCERLID), e tinha a concorrente CELEG (Centro de Estudos de Literatura de Expressão Gráfica), que publicava a Giff-Wiff. Ambas começaram nos anos sessenta. Entendo que uma publicação, livro ou revista, sobre HQ, deve ter prioritariamente o caráter de antologia, com pelo menos uns 90% de material visual. A parte teórica ficaria sempre como introdutória.

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     GRILO. Fica nesta lista apenas para representar o país, merecerá, mais adiante, um post especial. Circulou 48 edições, a partir de1971.

CIMOC. Como todas as revistas que publicam histórias em capítulos, também essa espanhola publicava álbuns temáticos. É dos anos oitenta e conheci uns dez, todos excelentes.

FIERRO. A Argentina fica logo ali, passando o Rio da Prata – mas seus ótimos gibis não chegam às bancas brasileiras. Tanto em material “nostálgico” quanto contemporâneo, eles tem boas revistas e álbuns – e a Fierro, acho que é a melhor. Já a chatice norte-americana, com super-heróis truculentos, inunda nossas bancas. Assim, na impossibilidade de acompanhar a Fierro revista, me limito aos “Libros de Fierro”, bons demais. Espero que vingue a iniciativa da Zarabatana com a “Fierro Brasil”, que comporta também nossos autores.

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