13 LISTAS DE GIBIS PREFERIDOS, 8 – SUPER HERÓIS

30 de outubro de 2014 por keyimaguirejunior

Super-heróis são um bando de chatos. Às vezes acho que o Fredric Wertham tinha razão – ao menos, em parte.

O próprio conceito da coisa indica caminhos de culto à violência: o herói que usa seus poderes para combater o crime. Isso não rende muito gibi, é o policial – ou western – tradicional. A menos que existam vilões tão poderosos quanto ele para um confronto. Mas o herói deve vencer sempre, senão o Comics Code pode estrilar. Daí em diante, a coisa vai ladeira abaixo, crescendo o poder do herói e o do vilão. Os heróis passam a atuar em dupla, visto que os marginais atuam em bando. Crescem as equipes de ambos os lados – até o ponto em que criadores e leitores se perdem num cipoal de poderes do bem e do mal. Instala-se a crise e o caos nos gibis – para resolver, cria-se uma “saga”, ainda mais confusa.

Por isso, os heróis são chatos e previsíveis. Escolhi alguns para este post porque o gênero é comercialmente importante, parte substancial do que se publica em gibi no Brasil e no mundo. Mas não gosto deles. Os que foram selecionados para a lista, o foram por conta do uniforme – que, se é ridículo para os marmanjões bombados, fica muito bom para as graciosas mocinhas.

VAMPIRELLA. Vampiros são antecedentes dos super-heróis: podem voar (em forma de morcego), têm grande força e são ardilosos. Têm lá suas fragilidades e besteiras – como alguém pode não gostar de alho?! – mas sem algum tipo de kriptonita, não tem graça. Quanto à Vampirella, bem, ainda não se inventou melhor desde Bram Stoker…

Vampirella

MARY JANE WATSON. É uma das heroínas mais interessantes da história do gibi, desde   que foi criada, nos anos sessenta. Pena é que alguns autores prefiram dar destaque ao sujeitinho neurótico-depressivo que a assedia.

Mary Jane

PODEROSA. É prima loira-burra do Superhomem. Pois é, o cara já tem um QI meio baixo, mas ela, pelo menos, tem outros méritos. Ela nos mostra que nem tudo em Kripton era alta tecnologia, o pessoal se divertia legal.

Poderosa

BATGIRL. Coitada, ela foi criada para reverter as tendências esquisitas da Dupla Dinâmica – como a Catwoman trabalha o lado do Bruce Wayne. O que me parece perda de tempo, depois de décadas sem rolar nada, as duas estão merecendo coisa melhor.

BLACK CAT. Não confundir com a Selina “Catwoman” Kile. Não sei qual das duas chegou primeiro, mas a segunda certamente se inspirou na primeira. No entanto, a Black Cat é bem mais interessante como aventureira mascarada.

MARY MARVEL. É a única interessante da Família Marvel/Shazam. Faz jus ao sobrenome e é bem menos limitada que os outros dois, como personagem – por isso, quando atua sozinha, as histórias são melhores.

Mary Marvel

WONDER WOMAN. Essa é chata militante, urra! Só umas cosplays jeitosinhas a salvam. Na origem, tinha raízes mitológicas como os Marvel. Mas aquele short azul com estrelinhas e top vermelho é excesso de mau gosto até prá americano.

EMMA FROST. A recente graphic novel que conta a origem de seus poderes, o que isso tem de impacto na vida de uma adolescente, a família pentelha – ficou muito boa. No caso, a narrativa envolve as frustrações emocionais que a tornaram bipolar, oscilando entre heroína e vilã.

Emma Frost

RED SONJA. Durante uma refrega, ela reclama que Conan a chama de “guria” e não de “mulher”. O bárbaro responde que a armadura dela – feita de moedas – é muito pequena, e que isso são modos de guria e não de nulher. Já se vê que na Era Hiboriana, os caras podiam entender de bruxos e dragões, mas nadinha de guerreiras ruivas.

Red Sonja

MISS AMERICA. Não a encontrei nos meus gibis, mas lembro dela, era uma gracinha. Se não me falha a memória, foi criada como coadjuvante da WW – aquela auxiliar adolescente que heróis e heroínas apreciam tanto, desde que seja do mesmo sexo…

LEITURAS

– Mini book, bad girls nº 1. São Paulo, Escala, s/data.

– ROSA, Franco de. As taradinhas dos quadrinhos. São Paulo, Opera Graphica, 2003.

– GHIRINGHELLI, Zeno. Erotismo & Fumetti. Milano, Erregi, 1969.

– SADOUL, Jacques. L’enfer des bulles. France, Jean Jacques Pauvert, 1968.

– WERTHAM, Fredric. Seduction of the innocent. New York, Amereon, s/data. (Edição original: Kennicat Press, 1953)

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