TREZE LISTAS DE GIBIS PREFERIDOS – 6

6 de setembro de 2014 por keyimaguirejunior

VI – Cosmos e Mini-saias

Quando a tecnologia humana começa a botar as manguinhas de fora – para o bem e para o mal – o bicho gente começa a perceber que vai poder invadir a “última fronteira” – o espaço sideral.

Surge então na literatura pulp o gênero ficção científica – rótulo complicado como todos os rótulos, menos os de vinho. Dentro desse gênero, o tema preferencial é a chamada “space opera” – ou seja, aventuras envolvendo viagens espaciais, alienígenas, guerras interplanetárias e adjacências. Pode-se imaginar de tudo no espaço – entre impérios galácticos povoados de moçoilas de mini-saia e tiranos cercados por milhões de seres com tentáculos e obedientes. Tudo, entre inferno e paraíso. Prato cheio para as mídias onde a imaginação pode se esbaldar: quadrinhos e cinema, não por acaso, as principais, que cedo descobrem suas afinidades.

A seguir, algumas dessas sagas espaciais – como sempre, escritas “ao correr da pena para serem lidas ao correr dos olhos”.

MANDRAKE. Já na década de trinta, o mais famoso dos mágicos, com o professor Thursby (maluco de gibi é sempre “professor”), sua fascinante filha Laura e Lothar, vão descobrir a face oculta da lua. No caso, nas páginas dominicais de Lee Falk e Phil Davis, de 1938. A melhor edição é dos Fratelli Spada Editori, na década de setenta.

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     BUCK ROGERS. É considerado o patriarca dos viajantes espaciais. Mas essa posição é discutível, antes de Julio Verne, para mencionar apenas o mais cult, o tema é explorado. Na verdade vários de seus truques – inclusive as mini-saias da Wilma Deering – serão levados ao Nec plus ultra pelo virtuosismo de Raymond. Explora a “síndrome de Rip van Winkle”, ou seja, o personagem deita para uma soneca e acorda séculos depois num mundo que não é o seu. Dick Calkins e Phil Nowlan começam em 1929, e a história segue por décadas com vários continuadores. Muito boa a edição da Milano Libri de 1971.

BR

     FLASH GORDON. Todos sabemos, é o grande clássico. No começo (1934) foi uma historinha bem comum – abaixo, mesmo do Buck Rogers – mas o desenho e a imaginação de Alex Raymond o elevam a uma condição artística dificilmente superável. Os continuadores do personagem não conseguiram sustentar esse padrão. Tudo já foi dito sobre Flash Gordon. A edição “cult” da Ebal, em 1973 e anos seguintes, é muito boa. A da Nostalgia Press, de 1967, também é primorosa, por manter as legendas originais, de caligrafia excepcional.

FG

     BRICK BRADFORD. De William Ritt e Clarence Gray, a partir de 1933. Esse é muito gozado. Sua nave tem a forma dos balões de Montgolfier e, rodando no eixo vertical, viaja no tempo e no espaço ou muda de tamanho, podendo penetrar nas estruturas atômicas ou ficar gigantesca. O herói usa camiseta regata e se envolve num patchwork de mitologias, civilizações perdidas, lendas e legendas, planetas e impérios galácticos e submarinos, segunda guerra mundial… numa ação contínua que faz pensar que os super-heróis estão chegando. Muitas antologias dessa história já foram publicadas nos EUA, Europa e Brasil (pela Ebal, é claro, em 1984).

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    LONE SLOANE. É da geração 66/68, do Terrain Vague de Eric Losfeld, o editor dos ícones dos quadrinhos da época. Todos os álbuns excelentes como desenho, embora com legendas muito longas. Mais tarde, o herói passou para os Humanoides Associés, com mais elaboração gráfica.

OS NÁUFRAGOS DO TEMPO. De Jean Claude “Barbarella” Forest e Paul Gillon. Levam longe a capacidade de inventar universos onde até os personagens “do bem” são estranhos. Contextualmente, é bem o tipo de produção do autor, em Barbarella e Hipocryte. Os primeiros álbuns são da Hachette, 1975, depois passa aos Humanoides Associés.

CINCO POR INFINITUS. No fim dos anos sessenta, a Ebal surpreendeu colocando nas bancas esse gibi, com uma qualidade gráfica à qual o público brasileiro não estava acostumado. Era uma das séries do espanhol Esteban Maroto, da escola de Frazetta. Mesmo como desenho, ficava anunciada, para nós, uma era de grafismos mais avançados e elaborados.

JEFF HAWKE. É a maturidade do gênero aventura espacial, produzida pelo bretão Sidney Jordan a partir de 1954. Não sei se chegou a ser publicada no Brasil. Histórias inteligentes e bem contadas, com um humor sutil, embora envolvendo os costumeiros ufos, alienígenas e viagens espaciais, como não dá prá evitar. Ótimas antologias da Milano Libri, nos anos setenta.

O ETERNAUTA. Que eu saiba, a idéia “os aliens já estão entre nós” começa com “Et on tuera tous les afreux”, de Vernan Sullivan, tradução francesa publicada por Eric Losfeld. Sem data, mas dá prá imaginar o apogeu do Terrain Vague, em fins dos anos sessenta. Esquisito até onde dá prá ser: impresso em papel de alta gramatura, longos textos intercalados com tiras de quadrinhos. Rendeu um seriado para a TV, muito prestigioso na época. Os argentinos Oesterheld e Solano Lopez produziram uma versão melhorada, publicada recentemente pela Martins em dois livrões.

A FONTE E A SONDA. Para além das qualidades indispensáveis em qualquer gênero de quadrinhos – história, narrativa, grafismo – na ficção científica o que há de mais fundamental é a capacidade dos autores em inventar criaturas, equipamentos, situações e, principalmente, cenários. Nesse aspecto, ninguém é mais criativo que François Bourgeon. “Passageiros do Vento”, “Companheiros do crepúsculo” (publicado esse ano no Brasil pela Nemo) e, principalmente, “O ciclo de Cyann: a fonte e a sonda”, este com Lacroix. Edição em português lusitano da Meribérica.

FS

Obrigado ao Cortiano por me lembrar o nome do cara que fez uma sesta de cem anos nas Catskils.

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