CAPAS DE COLEÇÃO CURITIBANA DE CORDEL

22 de agosto de 2014 por keyimaguirejunior

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     Comecei minha discreta – uns cem exemplares – coleção de folhetos de cordel – aí por 1974, em Goiana, Pernambuco, com ajuda dos amigos Luiz Gomes e Ubiracy. Mas muitos foram recolhidos por todo o Norte e Nordeste – achei em São Luis, o Key San trouxe de Fortaleza e rolam até nos sebos campineiros e curitibanos.

A bibliografia é escassa – o que aí vai são áreas adjacentes e raros porem bons artigos de revistas. E principalmente, a preocupação tem sido com as poesias, muito pouco sobre a parte visual – as capas. Estou aqui abstraindo os conteúdos em favor de uma notícia sobre essas capas.

O papel é sempre o mesmo ou equivalente ao do miolo, papel jornal o mais das vezes, raramente usando gramatura maior ou outro tipo. O que é muito freqüente é que, embora no mesmo material, este seja de outra cor – o que se chamava, há tempos, de papel de embrulho.

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     A tradicional xilogravura – sempre referenciando à minha coleção – está muito rara. Praticamente só se usa para gravuras decorativas, em formato maior, com empostação de quadro. Nos folhetos, quando é usada, é reprodução indireta, via outra técnica de impressão (off set? Difícil de perceber.)

A maior parte – mais da metade da coleção – é em “borrachografia”, usado como matriz um material para solas de sapatos e alpercatas, bastante resistente mas de talho fácil. Na capa do folheto, a ilustração fica quase idêntica à xilografia – muitos chapados, poucas linhas – sendo completada com palavras em tipos para as letras com o título e o nome do autor (muito raramente, se acha a data) e molduras ornamentais.

Também os clichês de zinco estão em desuso. Felizmente, pois a impressão em prensas com pouca tecnologia torna as ilustrações indefinidas e menos atraentes. O desenho a traço responde melhor a essa técnica – mas a fotografia tem apelo insubstituível em alguns casos.

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     São raras as capas apenas com as palavras – apesar de bonitas em seu despojamento e elegância, a ilustração vinculada ao texto parece ser considerada indispensável.

O abandono da tipografia em favor do Xerox, produz um visual completamente diferenciado – são outros tempos para o cordel. Talvez funcionalmente o efeito seja considerável – em rapidez de execução, custo, possibilidade de reprodução de qualquer imagem – mas talvez tarde demais para salvá-lo…

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Leituras

– CASCUDO, Luiz da Câmara. A flor dos romances trágicos. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1966.

– LOPES, Antonio. Presença do romanceiro. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967.

– QUEIROZ, Jeová Franklin. Sertão só se informa quando o cordel aparece. Revista “Interior”, junho 1981.

– QUEIROZ, Jeová Franklin. A via sacra da gravura sertaneja. Revista “Interior”, agosto 1981.

– RAMOS, Leo Borges. O erotismo na literatura de cordel. Revista Ele Ela, nº 101.

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