HOMENAGEM A ESCHER, UM MAGO DO SÉCULO XX

13 de agosto de 2014 por keyimaguirejunior

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“Ir bem ao fundo da infinidade! Um sossego absoluto. Evadir-se das tensões do cotidiano; navegar sobre um mar calmo na proa de um barco, em direção a um horizonte que se vai sempre distanciando; fixar as ondas que se quebram ouvindo o seu murmúrio suave e monótono, evadir-se na inconsciência.” Escher, “Aproximações da infinidade”.

     “Se ele (meu trabalho) pode ser incluído na Arte, por que nenhum outro artista, pelo que sei, se envolveu profundamente com o assunto, por que fui o único envolvido por isso? Nunca li uma palavra sequer sobre aquilo que nos ocupa aqui (da parte) de um crítico ou historiador da Arte, nenhuma enciclopédia de História da Arte, nenhum colega de agora ou de antigamente se envolveu nisso”. (Escher)

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     Escher atribui as bases de seu trabalho à matemática e à cristalografia – esta era especialidade do irmão, interlocutor. Mas entendo que aí se deva incluir a geometria – mesmo como coerência ao que ele diz ser a “divisão regular do espaço plano”.

     No entanto, a solidão do artista deve ter sido em vida (1898/1972): após ele, desconheço artista com uma obra que tenha permitido tantas extensões exploratórias. Na exposição que percorreu capitais brasileiras em 2013, fica demonstrada que a profundidade da exploração escheriana do espaço está longe de se esgotar.

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     Uma dessas extensões é um livro pouco conhecido dos (acho) conterrâneos Doris Schattschneider e Wallace Walker. O título do livro é “M.C.Escher Kaleidocycles”, e explora a aplicação a volumes geométricos – dos simples a alguns bem complexos – dos padrões escherianos. O que comprova, no meu entendimento, a importância da geometria em seu trabalho.

     O livro contém folhas impressas com as quais se podem montar alguns dos modelos desenvolvidos pelos autores. Uma atividade lúdica fascinante.

     Enquanto lia para fazer esse post, me ocorreu que talvez se possa ver nos Cartemas de Aluísio Azevedo uma proposta de extensão escheriana?

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Catálogos base deste post:

– Obras de Escher; exposição no Brasil. SP, RJ, Brasilia, Curitiba. 1993/1994.

– The graphic work of M.C.Escher. London, Pan Books, 1961.

– TJABBLES, Pieter (cur). A magia de Escher. Curitiba, MON, 2013.

– SCHATTSCHNEIDER, Doris & WALKER, Wallace. M.C.Escher Kaleidocycles. Usa, Ballantine, 1977.

Rabo 37

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