13 LISTAS DE GIBIS PREFERIDOS – IV

8 de agosto de 2014 por keyimaguirejunior

4 – Eróticos

         Esse é um tema difícil – pouca coisa realmente boa existe. Usar bem o erotismo é colocá-lo como episódio (s) numa história de qualquer tipo, integrado à narrativa. Se esta é inteira de natureza erótica, então entra sob o rótulo deste post. Mas é muito difícil que um autor consiga manter um padrão de qualidade narrativa – sem trocadilho! – decente.

     Não se trata da coisa ser mais ou menos explícita, mais ou menos “normal” – mas do ser bem contada e, em se tratando de gibi, bem desenhada. Crumb consegue contar pirações engraçadas, explícitas, sem vulgaridade. Alguns autores da lista abaixo mal chegam à nudez ou ao explícito, conforme se verá …

– ROMEU BROWN. Personagem criado por Mazure (1954) mas levado ao seu melhor por J.Holdaway nos anos sessenta. E uma HQ pouco conhecida, publicada no Brasil pela EBAL. Gurias tão espetaculares quanto exibidas e aguardando por situações para tirar a roupa… Tudo – com exceção delas – é caricatural nessa história: situações, personagens complementares, cenários, desenho. Talvez um recurso para contornar os seguidores do sr.Wertham. Edições da Futurópolis (França) e nos suplementos da Linus (Itália).

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– VALENTINA e amigas. Começou a surgir na Linus italiana, o gibi emblemático dos anos sessenta e setenta. Autor, um arquiteto milanês, Guido Crepax. Entre as tantas HQ de qualidade da revista – via de regra não-italianas – a personagem é complexa, fotógrafa, sofisticada, elegante, charmosa, sado-masô sensualíssima. O desenho é inovador, cheio de decupagens cinematográficas, recursos para a não muito explícita separação entre sonho e realidade. As histórias são muito “Cult” – lendas européias antigas, arte (o namorado é crítico de arte), cinema (ela própria é referência a Louise Brooks). As “amigas” – Anita e Bianca são as mais interessantes – vão pelo mesmo caminho. Em tempo, as adaptações quadrinizadas por Crepax dos clássicos eróticos – Sade & Masoch, Stevenson, Pauline Réage – são MUITO melhores que os textos originais.

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– CONTESSA CLAUDIA CHRISTIANI, de Milo Manara. É a personagem central da série “CLIC” – a mais conhecida HQ do autor, mas são muitas e, via de regra, todas boas. Não por acaso, fez parceria com Fellini para um álbum. Explora universos que vão do “Asno de Ouro” de Apuleio ao da publicidade e cinema contemporâneos – com uma visão crítica, debochada e não apenas erótica. No Brasil, edição da Conrad.

– MERDICHESKI, de Carlos Trillo e Horácio Altuna. São várias as histórias e álbuns da dupla em parceria, com vários “achados” narrativos que os levam a extrapolar nas comédias – como é o caso do tal tira mencionado – entrando por mundos que beiram pela FC. Edições argentinas e espanholas.

– MALÍCIA, de Wallace Wood. Uma leitura safada e criativa do mundo dos contos de fadas – aquilo que a gente sempre quis ver contado explicitamente e que ficava nas páginas dos tratados psicológicos sem graça alguma. Um pouco apelativo à americana, mas bom…

– EPOXY, de Cuvelier e Van Hamme. Nos anos sessenta, Eric Losfeld publicou uma série de álbuns, pela Terrain Vague, que eram o pesadelo dos leitores compulsivos como eu: três mil exemplares para o planeta inteiro – não reeditável. Felizmente uns quantos chegavam à Livraria Francesa de Sanpa… Epoxy foi a melhor, mas a mais famosa foi Barbarella, graças aos encantos da Jane Fonda. A HQ era meio chatona: bom desenho, mas legendas enormes, aventuras meio sem graça. Tinha “irmãs” coloridas, Jodelle e Pravda, em cores pop; e também Saga de Xam e Xiris. Mas Epoxy, na Grécia clássica, às voltas com deuses e semideuses, heróis, faunos e centauros, é a melhor.

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– LUBNA, namoradinha do Ranxerox, de Liberatore/Tamburini. No início dos oitenta, saía na Heavy Metal. Um mundo tipo “2020”, cheio de drogados, violência, cenários podres… Boa a edição brasileira da Conrad.

– ROBERT CRUMB. Todos os álbuns temáticos do Crumb são ótimos, publicados no Brasil pela Conrad. Humor delirante, mas engraçado e com um desenho único. O melhor é “Blues”, desde a primorosa capa. Os recentes do autor não gosto: parece coisa das mocinhas que aprontam todas e depois entram para uma seita, como que arrependidas…

– BONDAGE FAIRIES.      De um oriental, Kondom (?!) são diminutas fadinhas da floresta que protegem e transam animais e insetos. Na falta desses, faturam uma à outra. É inteligente, engraçado e diferente – o desenho de mangá é muito bom. Só tem um problema: são inincontráveis. Não adianta implorar prá Mitie e pro Chico que não rola.

– SAFADAS. São anunciados quatro volumes, salvo se a Nemo resolver se comportar como as outras editoras brasileiras e parar antes de acabar. Bons autores de texto e desenho, com algumas celebridades. Anunciados quatro títulos na série: Verão, Encontros, Lingerie e Natal.

 

Recomendações de leitura:

– SADOUL, Jacques. L’enfer des bules. France, Jean Jacques Pauvert, 1968.

Quase meio século depois, ainda é o melhor. Propõe estudar as mocinhas dos gibis em nove categorias: noivas eternas, minetes (gatinhas), tarzanídeas, aventureiras, heroínas clássicas, moças do espaço, super-heroínas, vítimas e marginais.

– GHIRINGHELLI, Zeno. Erotismo e fumetti. Milano, Erregi, 1969.

– (Sei que tem mais, acho que um do Marco Aurélio Luchetti e um do Franco de Rosa. Com o tempo, eu acho e coloco aqui…)

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