ESTOU EM PRISÃO DOMICILIAR DURANTE A COPA!

11 de junho de 2014 por keyimaguirejunior

AS CIDADES INVIVÍVEIS – XIII

(Treze teses sobre a crescente inabitabilidade das cidades neoliberais – tipo Curitiba)

DÉCIMA TERCEIRA TESE: COPA DO MUNDO

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         Considero-me domiciliarmente encarcerado até o fim dessa insanidade. Os políticos que tratam o povo brasileiro a pão e circo – principalmente circo – estão cerceando meu direito constitucional de movimentação pela cidade. Estou bloqueado:

– pela bandidagem que infesta todas as ruas e logradouros urbanos; visto que a polícia só se ocupa com as “áreas de risco”;

– pelo trânsito enlouquecido: ontem (09 de junho de 2014), num curto trajeto de ônibus, presenciei DEZ atitudes de agressividade carrista; quando a média nesse percurso e horário, é de duas ou três;

– pela ingenuidade de quem não percebe que, neste momento, não se pode separar ‘seleção brasileira de futebol’ de propósitos políticos – exatamente como nos tempos da ditadura militar;

– pelo clima de “entusiasmo” que está sendo imposto pela mídia servil. Está ridículo e ninguém está acreditando – os carros embandeirados são um para milhares que não estão nem aí;

– pelas inúmeras obstruções ao desempenho de quem quer trabalhar sem se deixar envolver pela “coisa”. Logo teremos que fazer um cadastro – a ser deferido pela FIFA – para sair de casa e circular;

– pelo alto risco de violência que representa o enfrentamento das quadrilhas que estão no poder com as que querem chegar a ele.

Quando esse quadro começou a se delinear, pensei em adotar as soluções tradicionais, preconizadas por eles mesmos:

– fugir para o exterior. Mas como não sou político e não tenho conta em paraísos fiscais, não dá prá bancar;

– fazer de conta que estou com dodói. Nessa ninguém ia acreditar, por mais atestados médicos que eu apresentasse;

– dizer: “ah, então tá: já que me pegaram com a boca na botija, vou dar umas passadinhas lá na Papuda”. No entanto, nem eles nem ninguém me pegou botijando e acredito que as suítes de luxo dos presídios estão todas ocupadas.

O jeito é me submeter à prisão domiciliar. Para tanto, tomamos algumas providências aqui no domicílio. A primeira e principal, foi armazenar boas pilhas de livros e gibis para o período. Outra, uma longa lista de tarefas que aguardavam a vez: organizar arquivos digitais; postar partes substanciais disso para uso de quem precise; pesquisar para os posts, preparar arquivos para impressão. Clima ajudando, umas podas no jardim…

Também estocamos vitualhas e ingredientes para o preparo das mesmas – tudo comprado em outras cidades, que não têm relação alguma com o notável evento.

Como o auto-encarceramento foi auto-decretado, também o posso relaxar, no sentido de jantar com amigos, freqüentar exposições, sair fotografando casas de madeira. Tipo liberdade condicional auto-vigiada, certo?!

Tá bom, ficou mais com cara de retiro que de prisão, mas o conceito é o mesmo: coisa prá quem não gosta de carnaval.

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(Fotos polaroid para cartuns fotográficos “Trinta e três tríticos trágicos”, de há uns 20 ou 30 anos.)

     AVISO IMPORTANTE!

Visitantes serão recebidos a bala. Balas de banana de Antonina que, é claro, também estocamos para o período.

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