TRISTES SUBTRÓPICOS

21 de maio de 2014 por keyimaguirejunior

The Brazilian National Anthem (By Harry Bramsby)

 

The placid shores of the Ypiranga heard

The resounding cry of a heroic people

And the sun of liberty, in fulgent rays,

Now shined in the heavens of our country.

 

In the pledge of this equality

We succeded to conquer with a strong arm,

In our bosom, of liberty,

Our courage defies death itself!

 

OH! Loved country,

Idolatrized,

Hail! Hail!

 

Brazil, an ardent dream, a ray so vivid

Of love and hope the earth now descends,

If in your beautiful sky, pleasant and limpid,

The southern cross image is resplendent.

 

A giant by your own nature,

You’re beautiful, strong, intrepid colossus

And your future thus reflects this greatness,

 

Adored country,

Among thousands,

You are Brazil

Oh, loved country!

A genteel mother of his land’s children

Loved country,

Brazil!

Vocês vão decorando aí, não demora e em solenidades oficiais é assim que vai ser cantado…

Prá quem consegue entende-lo, o Hino Nacional Brasileiro é, antes de tudo uma louvação do que a Natureza colocou em nosso território – lembram de quando a gente dizia que Deus é brasileiro?!

Nesse aspecto – e em vários outros – todos iguais, nossos governos, de 1964 em diante, se esmeraram em detonar com o conceito do hino. Em nome de um progresso Moloch, toda a beleza entoada pelo hino está sendo sacrificada. “Formoso céu risonho e límpido”, “Luz do céu profundo”, “Risonhos lindos campos com mais flores”, “Nossos bosques (que) têm mais vida”… (Observação: o Duque Estrada não podia imaginar o novo Código Florestal, isso deve ser tomado em conta.)

A Cachoeira de Paulo Afonso, na minha memória, foi a primeira a ser sacrificada – nos discursos dos políticos da época, além de gerar energia e redimir o Nordeste de toda pobreza, ia umidificar o ar e produzir nuvens, que fariam chover no sertão! Deu tão certo que agora estão sangrando de novo o São Francisco, tirando-lha a água. “Sangrar” aqui não é força de expressão: tirar a água de um rio, é tirar o sangue de um corpo humano.

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     As crianças e adolescentes que hoje cantam o Hino Nacional nem sabem mais que um dia existiu essa cachoeira, considerada uma das mais bonitas do mundo. Como também não sabem das Sete Quedas do Rio Iguaçú – para as quais Drummond escreveu um lindo epitáfio.

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Também as usinas de Angra foram localizadas segundo critérios edificantes. Acho que a comissão encarregada percorreu o litoral brasileiro em busca da mais bela praia e, quando achou, decidiu: é aqui. Lá estão os monstrengos, no aguardo de formar o trio Chernobyl/Fukushima/Angra dos Reis.

Não existe alguém tão masoquista que defenda as estradas brasileiras, pedagiadas ou não. A não ser, claro, o direitismo governista. Além de ruins, no caso do Paraná, enveredam por descaminhos (existe “desestradas?! Deveria existir, fica a sugestão para o Asilo Brasileiro de Letras oficializar o neologismo.)

A Estrada da Graciosa deveria ser pesadamente pedagiada, e a BR-277, livre. Claro que dá-se precisamente o inverso.

A tal Estrada do Colono, que é apenas jogada de políticos, tem uma lógica que não se sustenta: quem mora numa cidade e trabalha em outra, assuma sem estragar um parque Patrimônio da Humanidade. Alega-se o direito constitucional de ir e vir – é um mau uso desse direito do qual, quando se trata da FIFA, abre-se mão numa boa.

E agora, fala-se no tiro de misericórdia na nossa triste natureza subtropical: abrir uma rodovia por cima da Serra do Mar, ou pelo último restinho dela. De tanta estrada precisando ser feita ou refeita, vai-se buscar uma bem sacana, que vai ser enfiada goela abaixo na população como “progresso”. Como eu dizia no começo, progresso prá mim é quando melhora as coisas. “Prender e arrebentar” só é progresso na cabeça dos nossos políticos. Tratando-se dos restos finais da Floresta Atlântica, que já cobriu toda a costa brasileira e hoje tem apenas esse finalzinho, mantido à custa de “sangue, suor e lágrimas” não pode ter o poder de regeneração que tem a Amazônia, que engoliu a Transamazônica – dessas aventuras ao gosto dos governos totalitários, fardados ou não – antes da inauguração.

(Alguém me lembre, prá eu incluir nas referências, o nome – original e tradução – e o diretor daquele filme com o Sean Connery que trata disso.)

Quero dizer que o famoso “tripé do desenvolvimento” baseado nos três “E” – energia, estradas, escolas – está sendo usado prá sacanear com o país. E nem vou falar de escolas – são um abacaxi que, prá funcionar, precisam de duas chatices, instalações e professores…

Referências:

– GORBERG, Samuel. Estampas Eucalol. Rio de Janeiro, 2000.

– DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Adeus a Sete Quedas. Belo Horizonte, Ibérica, s/data.

– WAGNER, Helmuth. Sete Quedas. Curitiba, Sece, 1987.

– VIDAL, Valmiro Rodrigues. Curiosidades. Rio de Janeiro, Conquista, 1956.

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