A FALTA QUE ELAS NOS FAZEM

24 de abril de 2014 por keyimaguirejunior

REVISTAS PARANAENSES DE CULTURA

Esse post não se pretende, nem de longe, a inventariar as revistas culturais editadas em Curitiba/no Paraná. Só pretende assinalar que temos uma tradição interessante e importante – algumas delas, com linhas editoriais excelentes e que fazem falta.

Não considerei algumas que, por mais importantes que sejam, pertencem com exclusividade a determinadas áreas de conhecimento: por exemplo, a Gráfica do Miran, ou as revistas em quadrinhos – essas merecerão um levantamento à parte algum dia. Ou os boletins informativos de instituições como a Casa Romário Martins ou o Instituto Histórico.

Não vou ser hipócrita de dizer que me fazem falta revistas que circularam antes de eu nascer – mas conheço duas que, a julgar pela edição fac-similar, devem fazer falta a muita gente, por exemplo, pesquisadores.

PALLIUM. Circulou entre 1898 e 1900, editada por Silveira Netto e Julio Perneta. Divulgava a produção literária, e foi reeditada fac-similarmente em 1982 pela Secretaria de Estado da Cultura e do Esporte.

JOAQUIM. A edição nº 1 é de 1946, e a última, nº 21, de 1948. Era editada por Dalton Trevisan, Antonio Walger e Erasmo Pilotto. Os ilustradores eram tão ilustres quanto os escritores: dos locais, entre outros, Poty, Viaro, Turin, Nisio. Dos “de fora”, Di Cavalcanti, Renina Katz, Portinari e outros. Na edição nº 10, (1947) os ilustradores mereceram uma avaliação de Quirino Campofiorito, “Os ilustradores de Joaquim”. Como curiosidade, na edição nº 06, de novembro de 1946, publica texto de Oscar Niemeyer sobre a evolução da arquitetura brasileira. Nessa data, a Pampulha tinha um ano de vida, ninguém sabia o que é arquitetura em Curitiba (se é que agora há quem saiba) e muito menos, quem era Oscar Niemeyer.

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Mas vamos às que nos fazem falta hoje:

FORMA. Duas edições, ambas em 1966. Editada por Philomena Gebran Velloso e Cleto de Assis. A excelente programação visual não está identificada. Há 50 anos, essa revista tratou de arte, arquitetura, literatura, cinema, música, teatro…

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LEITE QUENTE. Dez edições, entre 1989 e 1992. Editada pela Casa da Memória da FCC, dez autores convidados abordam dez temas curitibanos:

– Linguagem (Paulo Leminski); – Influência gaúcha (A.Tramujas); – Influência Catarina ( Deonísio da Silva); – Cidade sem mar (M.C.Karam); – Clima (Rosirene Gemael); – Futebol (ilustrado pelo Solda); – Música (M.T.Lacerda); – Perfis fotográficos (Vilma Slomp); – Visão pé-vermelho (N.Monteiro); – Noite (P.R.Marins)

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RAPOSA.Dez edições, em 1981. Editada pelo Miran. Predominavam artes gráficas e literatura. É raríssima, numa troca de bando no poder, foi vendida para reciclagem do papel – é a informação que tive.

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FUNDAÇÃO. Quatro edições, a última de 1981. Editor, Wilson Cordeiro; programação visual, Guinski. Tratava de tudo, muita pesquisa, história e literatura.

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POLO CULTURAL. Difícil datar o fim, mas começou em 1978 e acho que terminou no mesmo ano. Circulou 33 números, cria integral do Reynaldo Jardim. Na fase final, circulava alternadamente em quatro subtítulos: Inventiva/Textos; Grafia/Fotos; Artes/Espetáculos; Arquitetura/Urbanismo.

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NICOLAU. É a mais longeva, da primeira edição em 1987 à edição 60 em 1998. Embora no expediente constem outros nomes no conselho editorial, sempre a entendi como editada pelo Wilson Bueno e programada visualmente pelo Guinski. É a que me faz mais falta, pelo amplo leque de temas e abordagens, principalmente paranaenses.

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MEDUSA & OROBORO. A primeira dez edições de 1998 a 2000; a segunda oito edições de 2004 a 2006. Ambas “Revistas de Poesia e Arte”, mas com incursões nas áreas adjacentes também. Editadas pelo Ricardo Corona e programadas visualmente pela Eliane Borges, extrapolaram do regional, priorizando as contribuições pela originalidade.

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Todas teriam merecido longevidade maior. Talvez seja um pouco abobalhado dizer isso, mas eu gostaria que tivéssemos tido uma revista passando por todas essas fases: não se trata de preferir, elogiar ou pixar, mas todas as descritas foram muito boas, com ênfases variando de foco. A Punch inglesa, viveu mais de um século e meio – nós não conseguimos ir além de alguns anos, em geral nem é preciso o plural…

No entanto, nossa tradição em boas revistas culturais sobrevive no Cândido e na Helena, o primeiro com destaque para a produção literária e editada pela BPP; a segunda visando uma panorâmica cultural paranaense, editada pela Secretaria da Cultura. Circulam desde 2011 e, quando forem assassinadas pelos políticos, farão falta.

Termino assinalando que a aquela que faz mais falta, pelo caráter de fundadora do paranismo, é a “Ilustração Paranaense”, de saudosa e gloriosa memória. Mais do que urgente, é premente uma reedição facsimilar da coleção completa, como foi feito com a Joaquim. É raríssima, conheço apenas a coleção da BPP que nem sei se é completa.

OBSERVAÇÃO: O Corona não quis usar essa foto Lionel/Marialba na capa da Medusa, então estou colocando aqui prá inticar com ele.

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