UM EXEMPLAR DO ECLETISMO RESIDENCIAL EM CURITIBA

31 de março de 2014 por keyimaguirejunior

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                Em 1977, a Casa Romário Martins recomendou – anexando os levantamentos arquitetônicos – ao Patrimônio Histórico Estadual, o tombamento de várias construções interessantes à história da arquitetura paranaense. Entre elas, uma casa à Rua Mateus Leme nº 38, ao lado da Igreja da Ordem.

O interesse didático da coisa era evidente: a poucos metros, a própria Casa Romário Martins é o último remanescente da arquitetura residencial de tipo colonial em Curitiba. A casa em questão, é representativa das modificações que o século XIX aportou à Arquitetura. Fica fácil e confortável a comparação…

Para que o exemplo fosse perfeito, falta apenas um jardim frontal que a afastasse da rua – mas o terreno, pouco profundo, talvez tenha sido reservado às ampliações que atualmente o ocupam inteiro. Mas é bem evidente a preocupação que a diferencia das casas coloniais, agora com soluções que buscam maior privacidade. Elevada em mais de um metro sobre o nível da rua e com entrada pela elevação lateral, chega-se à porta de acesso por uma escada, que vence a altura do porão. As entradas – a social como a de serviço – são protegidas por marquise com estrutura metálica, inclusive os lambrequins. O metal está presente também nos guarda-corpos, gateiras e, certamente, nas calhas por trás das platibandas.

Imagem                  A ornamentação do período eclético é marcante, com elementos pré-fabricados como sobrevergas, balaústres, colunatas e pinhas. A entrada de serviço é de frente para a escada. A social chega a um pequeno vestíbulo, que distribui para as salas frontais e demais espaços aos fundos. As perceptíveis ampliações, dobraram a área construída, ocupando praticamente a totalidade do terreno.

As paredes do porão correspondem às do piso principal, estruturando-as. Talvez se possa cogitar aí sobre a pouca tecnologia em concreto existente na cidade.

Outra característica do século XIX presente, é com a ventilação de todos os espaços, assegurada pelos afastamentos laterais.

Internamente, paredes e forros foram decorados com pinturas executadas com estênceis.

Imagem                Quando esse estudo foi feito, não localizamos dados históricos sobre a obra – construtor, data, proprietário.( Marcelo, você não teria essas informações?) Assim, quando, em 1989, foi instalada nela a “Casa de João Turin”, fiquei sem saber se há uma ligação histórica com o artista ou se, como na Casa Romário Martins, é homenagem sem esse vínculo. Não se trata, evidente e infelizmente, do interessante atelier do artista, em arquitetura paranista, que existiu à av. Sete de Setembro.

Isso foi em 1989, tendo sido feitas as restaurações necessárias ao acervo do artista e à casa que o recebeu. Tudo ótimo, o uso anterior da casa, como cursinho, era muito desgastante para uma construção antiga.

Em data posterior, fez-se um salão de artes com o tema paranista, de que Turin foi um dos mais importantes autores. (Não consigo achar o folder dessa exposição, será que foi feito?) Nele, apresentei o objeto cartunístico da foto abaixo. O título ´”O salto paranista dos anos trinta”.

Poderia estar na série dos “Fetiches”, mas… omny soit qui mal y pense!

 digitalizar0008

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