LIMIAR, PRESERVAÇÃO E ARQUITETURA – V

13 de fevereiro de 2014 por keyimaguirejunior

(5 DE 5) – Conclusão, observações, indicações de leitura.

Conclusão

Minha idéia de atitude de preservação em relação ao Modernismo arquitetônico passa, portanto, pela construção de paisagens culturais ricas, variadas e dinâmicas, com contraste mas, principalmente respeito, entre edificações.

O conceito de Tombamento não me parece o mais adequado para esse tipo de preservação – seria preferível uma legislação específica para as áreas de interesse, na qual se considerasse as unidades uma a uma. Ou que ensejasse a análise de toda e qualquer proposta interferente. O mercado imobiliário tem como único critério a lucratividade, sendo suicida a atitude de não o controlar com instrumentos eficazes.

Entendo que as construções limiares – isto é, a transição do que ocorre, “grosso modo” a partir do fim do século XIX, importa à compreensão do Modernismo. Sua preservação passa por:

– estabelecer uma política de documentação das edificações, talvez em convênio entre órgãos ligados à preservação da memória e Universidade. Isso permitiria pensar a médio prazo num plano amplo e com mecanismos mais eficientes que não o salvacionismo remendão.

– estabelecer legislação restritiva ao “aluguel para fins comerciais” de construções residenciais – uso não projetado e que provoca desgaste intensivo preparando as casas para a desvalorização e demolição.

– estabelecer áreas de controle extensas – por exemplo, atual Setor Histórico com ramificações e adjacências, Centro Cívico e Rebouças, com grandes perímetros. Dentro dessas poligonais, qualquer modificação, construção ou demolição estariam condicionadas à aprovação de um conselho NÃO sujeito à interferência política e ágil, dispondo dos instrumentos legais para fazer valer suas decisões.

ImagemPara fazer essa foto, percorri a Rua XV da Praça Santos Andrade até a Praça Osório e NÃO ENCONTREI UMA ÚNICA ROSÁCEA PARANISTA EM BOM ESTADO!

Observações

– esse texto se ressente de ter sido escrito quando das reuniões para estabelecer um acervo modernista preservável. Percebe-se que não acho eficientes os atuais instrumentos legais de preservação, quais sejam o tombamento e as unidades de preservação.

– as fotografias foram pinçadas de um acervo feito ao longo de várias décadas, e constando de alguns milhares. São tentativas de documentar paisagens compósitas, não homogêneas mas interessantes. Foram priorizadas neste post as vistas já modificadas.Seria possível datá-las aproximadamente – fiquem à vontade para fazer esse exercício de memória…

ImagemOs padrões decorativos da Praça Garibaldi também estão em mau estado. Os melhores ainda são os da Praça João Cândido.

Recomendações de leitura

– ALIATA, Fernando e SILVESTRI, Graciela. A paisagem como cifra de harmonia. Curitiba, UFPR,2008.

– ARGAN, Giulio Carlo. História da Arte como História da cidade. São Paulo, Martins Fontes, 1992.

– BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas. São Paulo, Brasiliense, 1985.

– BENJAMIN, Walter. Paris, capitale du XIXème siècle. Paris, Cerf, 1993.

– BRUAND, Yves. Arquitetura contemporânea no Brasil. São Paulo, Perspectiva, 1981.

– CULLEN, Gordon. El paisage urbano, tratado de estética urbanística. Barcelona, Blume, 1974.

Centres historiques face au development. Paris, L’Architecture d’aujourd’hui, julho/agôsto 1975.

– FICHER, Sylvia & ACAYABA, Marlene M. Arquitetura Moderna Brasileira. São Paulo, Projeto, 1982.

– HOLSTON, James. A cidade modernista. São Paulo, Cia das Letras, 1993.

– IMAGUIRE Junior, Key. Arquitetura no Paraná: contribuição metodológica à História da Arte. Curitiba, UFPR, 1982. (Dissertação de Mestrado)

– LAUZON, Gilles & FORGET, Madeleine. L’histoire du Vieux-Montréal à travers son patrimoine. Québec, Les Publications du Québec, 2004.

– LYNCH, Kevin. ?De qué tiempo es este lugar? Barcelona, Gili, 1975.

– LYRA, Cyro Illidio Correa de Oliveira. Plano de revitalização do Setor Histórico de Curitiba. Curitiba, IPPUC, 1970.

– MUNFORD, Lewis. The city in History. England, Pelican, 1961.

– RIMBERT, Sylvie. Les paysages urbains. Paris, Armand Colin, 1973.

– RUSKIN, John. As pedras de Veneza. São Paulo, Martins Fontes, 1992.

– SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil; 1900/1990. São Paulo, Edusp, 1997.

– SCHNEIDER, Wolf. História das cidades, de Babilônia a Brasília. São Paulo, Boa Leitura, s/data.

– SLOMP, Vilma. Curitiba central; fotografias 1979/2013. Curitiba, Voar, 2013.

– TOYNBEE, Arnold (org). Ciudades de destino. Madrid, Aguilar, 1968.

– WAISMAN, Marina. La estructura histórica del entorno. Buenos Aires, Nueva Visión, 1977.

– WILLIAMS, Raymond. O campo e a cidade. São Paulo, Cia das Letras, 1993.

– ZEVI, Bruno. Saper vedere La citá. Torino, Einaudi, 2006.

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