LIMIAR, PRESERVAÇÃO E ARQUITETURA – IV

13 de fevereiro de 2014 por keyimaguirejunior

(4 DE 5)  Morfologia do limiar modernista

1 – O cansaço da ornamentação eclética. Construções em que a estética do Ecletismo permanece por inércia. O Modernismo ainda não domina como idéia, mas a essência do conceito já é perceptível. O melhor exemplo é o Edifício Garcez.

2 – Obras de Kirchgassner e Vilanova Artigas. São as primeiras a tombar, e deve-se tombar todas. Pelo pioneirismo dos autores – que é nacional – mesmo que algumas de suas obras se enquadrem mais no item anterior.

3 – O Art-déco (pó-de-pedra). O Modernismo tímido e inexpressivo dessas construções faz recear por sua inclusão como primeiro contingente modernista. São importantes pela assimilação de tecnologias construtivas e também por anunciarem a verticalização na etapa seguinte.

4 – Os grandes edifícios residenciais. Rescendem ainda aos citados no item anterior – mas seu volume e sua ostensiva presença, os fazem mais pertinentes à fase seguinte, em que o Modernsmo se afirma e exibe pela tecnologia do concreto e industrial.

5 – As obras públicas. O Poder sempre usou da Arquitetura para afirmar sua modernidade – e disso é exemplar, por sua clareza, o caso paranaense. A construção do Centro Cívico Estadual empreendida antes mesmo do Plano Preliminar, mas por ele sacralizada, facilita a ação de preservação, já encaminhada. Resta efetivá-la.

ImagemPraça Garibaldi: com o Largo da Ordem, a Praça João Cândido e a Praça Generoso Marques, são as articulações do Setor Histórico de Curitiba.

6 – As igrejas. Mesmo tendo deixado de ser o centro da sociabilidade, as igrejas católicas são espaços que representam a evolução da arquitetura desde o período colonial até o presente momento.

7 – Programas construtivos abandonados. Quando esta pesquisa foi feita, surpreendeu existirem apenas dois cinemas na cidade. Da mesma forma, as galerias comerciais deram lugar aos shoppings. Mas são, uns e outras, testemunhos de uma sociabilidade de rua em extinção.

8 – As casas. As residências, principalmente dos burgueses que plasmaram a modernidade, são documentos insubstituíveis de seu tempo. Seja como estética, como tecnologia construtiva, como programa arquitetônico ou como materialização de idéias – lê-se uma casa as estruturas sociais e culturais da cidade. É preciso atentar para o fato de que há nuances delicadas, produzidas pela estratificação social.

9 – Construções industriais.  No caso de Curitiba, a amostragem pré determinada do Rebouças, produzida por legislação, é interessante mas insuficiente visto que a industrialização, como é óbvio, não se limita a barracões industriais.

10 – O próprio Modernismo. Seriam necessários, para integralizar a idéia da modernidade arquitetônica, representantes de três momentos pelo menos: a “importação” de projetos, a produção dos pioneiros e a produção da própria cidade. Essa perspectiva, embora sobreponha com  itens anteriores, é necessária para consolidar uma continuidade histórica.

ImagemPraça Garibaldi: o uso cultural consolida a preservação do espaço.

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