ARQUITETURA & DESIGN – UMA ENTREVISTA

25 de janeiro de 2014 por keyimaguirejunior

ImagemEntrevistado: o designer italiano Pier Paolo Olivieri

Apresentação

     Conheci Pier Paolo Olivieri em 1972: publiquei um anúncio na Linus, procurando correspondente para troca de gibis. Ele foi um dos quatro que responderam…

     A essa altura, eu já era arquiteto e, principalmente, apaixonado pela Arte – e ninguém estuda Arte e Arquitetura sem passar pela Itália. Nem consegue entender coisa alguma da civilização ocidental sem aqueles alucinados que, a partir de uma bota menor que alguns estados brasileiros, construíram impérios, civilizaram continentes, fizeram o Renascimento… enfim, entende-se o mundo sem qualquer país – mas jamais, sem a Itália.

     Em 2006, fomos conhecê-lo, e ele me apresentou algumas coisas entre as infinitas que lá existem. Só ficou mais forte minha sensação de ser um bugre entrando numa sala de controle de vôo espacial da Nasa.

     Claro que, quando o Brasil foi descoberto, o Renascimento já estava moribundo – mas os italianos nunca deixaram de, mais que contribuir para a História da Arte, ser a própria Arte. Quem consegue entender a música sem Verdi? Quem consegue ver a estética moderna sem as griffes e os designers italianos mais cultuados?

     A par disso, sempre fui apaixonado por aviões – uma das raras loucuras decentes do ser humano. Um brasileiro inventou o avião, norte-americanos e europeus se digladiam pelo mercado – e continua sendo a maravilhosa aventura de voar, um sonho humano que, guerras à parte, ainda nos dignifica. Tenho até filho piloto…

     Essa entrevista, sumária como é – profundidade, como sempre digo, é com o Jacques Cousteau, não com blogs – é em memória de uma manhã em Finale Ligure, quando fomos conhecer a fábrica da Piaggio – onde se faz a Ferrari dos Céus…

     Observação; quando eu morrer, gostaria de ser enterrado, digamos, no Staglieno. Meu fantasma teria, então, tempo suficiente para conhecer tudo naquele país – porque, com menos que uma eternidade, não se consegue.

PRIMEIRA PERGUNTA

Key – Você sempre teve, desde jovem, uma atração por tudo o que diz respeito ao desenho, em sentido amplo: entende a Arquitetura, a arte, a estilização, o design, os quadrinhos. Sendo italiano, tem à mão o melhor da produção humana. Com breves deslocamentos, pode chegar às melhores coleções e museus. Como você chegou a ser designer de aviação?

Key – Tu hai avuto, mi sembra fin da giovane, un’attrazione per tutto quanto riguarda il disegno, in senso ampio: capisci l’architettura, l’arte, la schematizzazione, il design. i fumetti. Ed essendo italiano, hai a portata di mano il meglio della produzione umana. Con spostamenti brevi, arrivi alle migliori collezioni e musei. Come sei arrivato a essere design d’aviazione?

Olly – A vida é um acaso e a Terra gira… essa é a reposta que me vem mais imediata, e é uma das coisas que meu pai dizia sempre. Muito freqüente, trata-se apenas de ter a agilidade de pegar a ocasião certa. Ainda jovem, tendo terminado os estudos um pouco desiludido, decidi pegar a primeira oportunidade de trabalho que aparecesse. Entrei como desenhista em uma pequena empresa, que tinha a enorme virtude de fazer grandes coisas. Essa empresa, que ainda existe, construía enormes tira-neve para desobstruir nossos vales alpinos, durante as nevascas invernais. Eram maquinas gigantescas. Estávamos no fim dos anos sessenta, momento em que, na América, se produzia o famoso Jumbo (Boeing 747), o gigante do céu. Quando a Alitalia decidiu comprar seus dois primeiros Jumbo, teve que fazer um concurso para a construção de tratores que levariam para os hangares de Roma e Milano, aqueles animalões… e foi a pequena empresa na qual eu trabalhava, graças à experiência com máquinas pesadas, que venceu o desafio. Produzimos uma máquina chamada SP 700 Hércules, uma trator com metro e meio de altura, três de largura e nove de comprimento. Pesava 700 toneladas, tinha uma potência de 700 HP e se movia debaixo da barriga do Jumbo, como um filhote de gazela querendo mamar… Foi uma experiência maravilhosa! Eu tinha então 20 anos e ter participado daquele empreendimento como desenhista foi mesmo como se houvesse experimentado uma droga, pela primeira vez na vida eu tinha contato com máquinas voadoras… Fiquei ainda por alguns anos naquela empresa. Depois, descobri outra pequena empresa italiana, a Piaggio, precisando de desenhistas… bem, me candidatei! Agradei porque conhecia bem o desenho, para mim transformar um objeto numa série de imagens sobre papel sempre foi fácil, é um dom da natureza. Era o 1973, não existiam os computadores, desenhava-se a mão com grandes tecnígrafos. E mesmo se o desenho de um avião e de suas partes é algo terrivelmente complexo, para mim foi como encontrar as chaves de São Pedro para entrar de repente no Paraíso. Digo assim porque eu era um rapaz do campo, que havia saído muito jovem para estudar e que nada sabia do mundo. Eu parava para olhar, encantado, os semáforos ou qualquer outro produto do engenho humano como se estivesse diante de uma aparição de Santo Antonio. Entendia inglês e o falava tão bem quanto meu cachorro, me virava melhor em francês, mas com um lápis e uma folha de papel em branco, eu podia representar o que de mais ousado me fosse pedido. Logo veio a era dos computadores, outra ocasião que não deixei passar. Me joguei de corpo e alma, aprendendo todos os CADs que existiam, e em pouco tempo, eu conseguia fazer com o CAD o que antes fazia a mão. Foi maravilhoso, para mim, poder realizar as formas mais ousadas com as quais revestir as máquinas voadoras… Esse foi o caminho que percorri ao longo de quarenta anos. O acaso fez muito, o resto fiz eu mesmo.

     Com relação à importância que teve sobre mim o fato de viver na Itália, onde inevitavelmente a arte é fácil de respirar, devo dizer que o ambiente artístico teve acima de tudo o efeito de me abrir os olhos, levando-me a observar a natureza e o homem como duas entidades em permanente diálogo/conflito: o desenho de uma conexão de asa, que tanto lembra a curva de um bico de águia ou a pétala de uma Iris, lembra também a trajetória de um rojão, ou a manivela do torno de um ceramista fazendo um vaso na sua oficina a poucos passos de casa. Basta que nosso olho saiba captar aquela curva…

ImagemImagem

O SP 700 Hércules e seu filho

Olly – La vita è un caso e la terra gira… questa è la risposta che mi viene più immediata, ed è una delle tante cose che mi diceva spesso mio padre. Molto spesso si tratta solo di aver la prontezza di cogliere le occasioni giuste. Da ragazzo, dopo aver terminato un po’ deluso gli studi, quando decisi di lavorare colsi la mia prima occasione entrando come disegnatore in una piccola azienda, che aveva l’enorme pregio di realizzare grandi cose. Quell’azienda, che esiste ancora, costruiva enormi spazzaneve, in grado di sgombrare dalla neve i nostri valichi alpini, durante le nevicate invernali. Erano macchine gigantesche. Eravamo alla fine degli anni sessanta, e proprio in quel periodo in America si produceva il famoso Jumbo Jet, il gigante del cielo. Quando l’Alitalia decise di acquistare i suoi primi due Jumbo, dovette indire un concorso per la costruzione dei trattori che avrebbero trascinato negli hangar di Roma e Milano quei bestioni… e proprio quella piccola azienda in cui lavoravo, grazie all’esperienza nella costruzione di macchine pesanti, vinse quell’appalto. Producemmo così una macchina che si chiamava SP 700 ERCOLE, un trattore alto un metro e mezzo, largo tre e lungo nove. Pesava 700 quintali, aveva una potenza di 700 cavalli e si muoveva sotto al ventre del Jumbo, come un cucciolo di gazzella che cerchi le poppe della madre… fu un’esperienza meravigliosa! Avevo 20 anni a quei tempi, e l’aver partecipato a quell’impresa come disegnatore fu veramente come l’aver assaggiato una droga, per la prima volta in vita mia entrai in contatto con le macchine volanti…Rimasi per qualche anno ancora in quell’azienda, poi un giorno scoprii che un’altra piccola azienda italiana, la Piaggio, aveva bisogno di disegnatori…  beh, feci domanda! Piacqui perché conoscevo bene il disegno, per me trasformare un oggetto in una serie di immagini su carta è sempre stato molto facile, la natura mi ha dato questo dono. Era il 1973, non c’erano i computer, si disegnava a mano su grandi tecnigrafi… e anche se il disegno di un aereo e delle sue parti è una cosa terribilmente complessa, per me fu come se avessi trovato le chiavi di S.Pietro per entrare di soppiatto in paradiso. Dico così perché ero un ragazzo di campagna, che aveva lasciato il paese da giovanissimo per studiare e che non sapeva niente del mondo, mi fermavo a guardare incantato i semafori o qualsiasi altro ordigno prodotto dall’intelligenza umana come se fossi di fronte all’apparizione di S.Antonio. Capivo l’inglese e lo parlavo come il mio cane, me la cavavo meglio in francese, ma con una matita e un foglio bianco potevo realizzare quanto di più ardito mi veniva proposto. E vene presto l’era dei computer, altra occasione che non mi lasciai sfuggire. Mi ci buttai anima e corpo, imparando tutti i CAD che esistevano, e in poco tempo riuscii a realizzare con il CAD quello che già facevo a mano, e fu ancora meraviglioso, per me, poter realizzare le forme più ardite con cui rivestire le nuove macchine volanti… questa è la strada che ho percorso, per quarant’anni. Il caso fece molto, il resto lo feci io. Per quanto riguarda l’influsso che ha avuto su di me il fatto di vivere in Italia, dove indubbiamente l’arte è facile da respirare, devo dire che l’ambiente artistico ha avuto soprattutto l’effetto di farmi aprire gli occhi, costringendomi a osservare la natura e l’uomo come due entità in perenne dialogo-conflitto: il disegno di un raccordo alare, che tanto ricorda la curva d’un becco d’aquila o quella di un petalo di iris, ricorda anche la curva di un fuoco d’artificio, o quella del manico di una brocca che sta realizzando un vasaio nella sua bottega a pochi passi da casa. Basta che il nostro occhio sappia cogliere quella curva…

ImagemEntrevistador: arquiteto curitibano Key Imaguire Junior. Na foto, testando os assentos do Piaggio P-180

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