NOCTIUM ATTICORUM

21 de janeiro de 2014 por keyimaguirejunior

Do advogado AULO GELIO quase nada se sabe. Viveu entre os anos 125 e 175 da nossa era, cidadão romano e de família patrícia: personalidade de primeira classe, portanto. Ao envelhecer, recolheu-se a uma “Vila” na Ática, onde, para encher as noites invernais, escrevia utilizando suas anotações profissionais. É estudado ainda hoje pela lucidez de seu pensamento jurídico – seguem algumas anotações mostrando que, ele e os romanos, estavam muito adiante do ponto a que chegamos mais de dois mil anos de civilização depois…

“Se alguém descuidava do cultivo do campo, deixando-o em mau estado, não lavrando ou abandonando, não cuidava de suas árvores ou vinhedos, naquele tempo cometia um delito castigado pela lei.     Quando se via um cavaleiro romano com seu cavalo fraco e mal cuidado, era considerado culpado de “impolitia”, isto é, negligência. O controle era exercido pelos censores, que tiravam ao culpado o direito de votar.”

(…)

“Os censores Cipione Nasica e Pompilio, passando em revista a ordem eqüestre, observaram um cavaleiro com seu cavalo fraco e estropiado, enquanto ele mesmo se apresentava pleno de saúde, como pessoa bem cuidada. “Porque, perguntaram, cuidas menos do teu cavalo que de ti mesmo?” “Acontece, respondeu ele, que de mim cuido eu mesmo, e do meu cavalo cuida Estacio, um mau escravo.” A resposta foi considerada insolente, e os censores o fizeram descer à categoria de cidadãos sem direito a voto”.

(Em Roma, na entrada das ruínas das Termas de Caracala, há uma placa: “Onde passaram os cavalos dos romanos, a erva ainda cresce!”)

Referência: “Las Noches Aticas”, Aulo Gelio, Ediciones Juridicas Europa-America, Buenos Aires, 1959.

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