SAUDADES DA “VILA DA MADEIRA”

19 de janeiro de 2014 por keyimaguirejunior

Em 2001, o IPPUC me pediu um estudo sobre casas de madeira, havia a possibilidade de essa antiga idéia deles sair do papel. Então, a questão era, que casas levar para lá?

Fiz um levantamento, com a Marialba, reunindo uma amostragem de cem casas em duas situações principalmente.

Primeira, as que estavam sujeitas a demolição a curto prazo, por se localizarem em ruas e bairros de muito valor imobiliário.

Segunda, pela representatividade arquitetônica, isto é, serem muito “típicas” ou muito bem elaboradas.

Foi dos trabalhos mais interessantes que já me pediram, e o fizemos com gosto. Duas fofocas: causou surpresa o curto prazo em que o fizemos; e foi o último trabalho que entregamos em papel. Daí prá frente, é tudo a chatice virtual…

Mas o resultado está no livro “A Casa de Araucária”, dicado no post referente a livros em algum lugar deste blog.

O IPPUC sugeriu que uma tipologia poderia ser útil e concordei, na verdade acho-a mais importante que a circunstancial indicação de algumas unidades.

No entanto, não se ouviu mais falar da coisa. Houve o traslado de uma casa, doada ao projeto e que passou por todo o processo. Fomos à inauguração, parabéns, tomara que continue assim, e mais nada.

É que não há mais aqueles prefeitos que queriam fazer da cidade um lugar interessante para se viver: os atuais só pensam em torná-la inabitável. E para isso não precisamos de prefeito, é só deixar tudo por conta do deus Mercado.

(Desculpem sair do assunto, mas essas coisas me indignam muito.)

Bem, o que ninguém me pediu mas o enxerido aqui ficava pensando enquanto fotografava as casas, é na organização espacial para a qual elas iriam. Com o trabalho, entreguei o croquis que ilustra o post. Eu tinha visto um mapa e fui ao local, mas na verdade, nem sei se minha idéia caberia no terreno.

A proposta do IPPUC, ao que eu me lembre, configura algumas quadras urbanas convencionais – o que remete, como é óbvio, à situação de origem das casas, sua posição na cidade. Mais importante que a disposição, seria atentar para os detalhes de arborização, ajardinamemto e outras características que faziam, das casas de madeira, representantes de uma curitibanidade muito combatida e desprezada.

Na verdade, prá mim, tanto faz. Eu e Curitiba ficaríamos contentes com um mostruário bem cuidado e bem representativo da arquitetura das Casas de Araucária.

Imagem

Observação: no croquis acima, onde se lê “acessos”, leia-se “assessos”. Para evitar que o Conselheiro Ortográfico deste blog tenha acessos de ira, porque não ligo para as determinações do Asilo Brasileiro de Letras.

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