O “ANJO” – UM GIBI DA ERA DO RÁDIO

30 de novembro de 2013 por keyimaguirejunior

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     O primeiro número do Anjo é de maio de 1959. Na secção de cartas, Álvaro Aguiar informa que, no rádio, o programa já tivera 2.200 scripts irradiados pela Rádio Nacional. AA foi não penas o criador do personagem, mas lhe emprestou também sua figura.

O crédito dos textos é dado a ele – não se percebe é se escrevia histórias especialmente para o gibi ou se eram adaptadas das já irradiadas. É mais lógica a segunda possibilidade.

Os personagens são todos arquetípicos das mídias da época, seja cinema, rádio ou gibi – o único diferencial é dado pelo desenho de Flávio Colin.

O Anjo era o típico herói de gibi – resolve casos intricados, tem forma física de atleta de olimpíada, habilidades acrobáticas (já na primeira aventura salva uma trapezista numa ação circense), pontaria de cow-boy, murros de peso-pesado… Para a época, nenhuma novidade.

O Metralha, seu parceiro, com a metralhadora “Matilda” dificilmente pode ser apartado da figura do guarda-costas de Getúlio Vargas, o tenebroso Tenório Cavalcanti e sua Lurdinha…

O Jarbas é o clássico “companheiro jovem”, aprendiz inexperiente, idolatrando o titular. Batman e Robin? Talvez…

E o Faísca completa a equipe, com figura e humor um pouco das chanchadas de então.

Comparecem ainda o Inspetor e o Sargento, representantes da Lei Oficial, ora incapazes de resolver os crimes por si mesmos ora “usando” da informalidade do Anjo. Eles validam, é claro, a posição do herói central, justiceiro à margem da lei.

No mais são as donzelas indefesas, os criminosos diabólicos, os ricaços ameaçados…

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     O bom mesmo das “Aventuras do Anjo” é o desenho do Flávio Colin. Além de artista já possuidor de traço próprio, define muito bem os personagens caricaturais, dando velocidade à leitura, desejável quando se trata de história de aventuras policiais. Colin fazia também as belas capas do gibi.

Em que pese os ambientes internos nunca serem muito complexos, o artista não abre mão da brasilidade. O cenário privilegiado é o Rio de Janeiro, mas a equipe de personagens viaja pelo Brasil para resolver casos.

Na edição cinco, o Anjo vem ao Sul do Brasil – talvez seja o primeiro personagem de gibi a fazê-lo – e Colin mostra mais do que conhecimento da região em que nasceu; são dos melhores cenários da coleção. Campos e florestas de araucárias como hoje não existem mais.

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     Localizei as revistas – aquelas boas, grandonas, que hoje com capa dura são chamadas de álbuns – até a edição 34, sem data. Não sei se foi além disso na mão do Colin, nem ele lembrava: “… desenhei uns trinta e tantos…”

Foi uma bela fase, as editoras brasileiras, conquanto editassem basicamente “comics” – ver os anúncios nos rodapés das páginas – tinham a preocupação de lançar material nacional. Não contemporaneamente, mas o Anjo e Jerônimo são exemplos da RGE; o Judoka da EBAL e o Saci-Pererê da Cruzeiro.

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