CONTRIBUIÇÃO À HISTÓRIA DO CAU DA UFPR

30 de outubro de 2013 por keyimaguirejunior

A Universidade Federal do Paraná está com cem anos – mas juízo que é bom, ainda não tem. Todos nós, que participamos das pesquisas que resultaram nos capítulos do livro “UFPR – Reflexões 100 anos”, concordamos quanto à dificuldade ao se trabalhar com uma documentação desorganizada, dispersa e, freqüentemente, mal conservada.

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     Essa consciência não é de hoje. Há alguns anos, formou-se uma comissão que objetivava, no mínimo, dar a partida no processo de organização da documentação – numa primeira etapa, localizar, avaliar e salvar os acervos existentes nos departamentos e coordenações. Essa primeira abordagem, como responsabilidade do pessoal administrativo das unidades. Com essa base, seria estabelecido um conjunto de ações para chegar a um sistema de referenciação que permitisse seu uso. Representei o Setor de Tecnologia nessa comissão, e depois de algumas reuniões, a iniciativa se dissolveu. Ignoro totalmente as causas, e o que interessa, é que continuou tudo igual.

Quando aluno de História Oral da Profa.Oksana Boruszenko, eu começara, no meu mestrado, em 1981, a tomar depoimentos visando ressalvar alguma coisa da memória do Curso de Arquitetura e Urbanismo, na perspectiva de seus primeiros professores e alguns arquitetos contemporâneos à criação do curso.

Nessa tomada de depoimentos preliminar, contei com ajuda das monitoras da disciplina Noêmia Regina Buchmann, Maria Claudia Gomes, Gislene de Fátima Pereira, Caroline Maria Kreutzer e da arquiteta e ex-aluna Vânia Renaux van Deeke. Um depoimento é de 1981 (Marcos Prado), oito de 1984 (Rubens Meister, Luiz Forte Neto, José Genuíno de Oliveira, Leo Grossmann, Cyro Correa Lyra, Frederico Kirchgassner, Fernando Carneiro, Armando Strambi), um de 1985 (Marlene e Almir Fernandes) e dois de 1987 (Gustavo Gama Monteiro e Elgson Ribeiro Gomes).

Também fiz uma ordenação preliminar da documentação escrita existente – naquela época já havia mais traças do que papel – que, em alguma reforma que se seguiu, tomou rumo ignorado. Como, de resto, várias iniciativas de construir um acervo com trabalhos escolares, principalmente os de conclusão de curso. Uma simples exposição desses, em local com visibilidade, mostraria rumos e ações que poderiam, esses sim de verdade – tornar Curitiba um modelo de planejamento e colocar a cidade na vanguarda da arquitetura brasileira.

Imagem      Sendo o CAU um curso sem “coordenação motora” mínima, fiz com monitora Nádia Besciak um levantamento dos materiais depositados no Gabinete de Arquitetura Brasileira. Embora publicado pela Editora da UFPR, foi exemplo que não frutificou – ao que eu saiba, ainda é a única ação efetiva no sentido da preservação da memória daquele curso. Pura falta de juízo.

Voltando ao trabalho de tomada de depoimentos, tratava-se evidentemente de uma abordagem preliminar. Deveria ser seguido do recolhimento de materiais a serem fornecidos pelos entrevistados e de uma entrevista complementar, englobando esses documentos – fotos, desenhos, recortes, projetos e o mais que houvesse. No entanto, apesar de não ter tido continuidade, essa primeira fase já permitiu uma vista preliminar dos primórdios do curso.

Dos doze arquitetos entrevistados, metade não dará mais depoimentos – o que não significa que o trabalho não possa nem deva continuar com recolhimento, junto aos familiares, de materiais e documentos que possam interessar à história do CAU, ao estabelecimento da profissão de arquiteto em Curitiba e à história da Arquitetura Brasileira.

Nunca é tarde prá tomar juízo – mesmo aos cem anos de idade.

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