AS CIDADES INVIVÍVEIS – 4

23 de outubro de 2013 por keyimaguirejunior

(Treze teses sobre a crescente inabitabilidade das cidades neoliberais – tipo Curitiba)

Tese 4 – Zoofobia

“Quando a lei é injusta, é justo combatê-la – e                         

                     pode ser justo, às vezes, violá-la.”

                     (André Comte-Sponville: “Pequeno Tratado das                          

                     grandes virtudes”. Capítulo 6: Justiça)

Os neoliberais só aceitam animais em duas situações: escravizados, isto é, produzindo para eles em troca do sustento; e dependentes, gerando lucros ao poder e ao capital indiretamente, através das pet-shops. Os demais são considerados inúteis e devem ser exterminados.

A conscientização da classe média para a convívio com os animais pode dar resultados apreciáveis: as campanhas de castração e adoção conseguiram reduzir sensivelmente a quantidade de animais soltos, coisa que o massacre de milhões deles pela criminosa “carrocinha” não conseguiu. Agora a Prefeitura se lança até contra as pessoas que querem resolver o problema humanamente, sacrificando até seu próprio conforto para minorar um problema ético do ser humano. Vai ser feito um “cadastro” das pessoas que fazem a coisa certa e, pode acreditar, vem chumbo grosso sobre elas. A mídia, sempre aliada do poder, já classifica essas pessoas de “perturbadas mentais”.

Sempre há uma espécie da qual não se pode tirar proveito a ser perseguida, a ser combatida e exterminada. O “inimigo número um da sociedade” atualmente são os pombos. É, esqueçam traficantes, políticos e bandidos em geral: o problema são os pombos. Que proveito se pode tirar deles, se não pagam impostos, não dão lucro aos industriais? Nem sequer assistem televisão ou compram jornais. O caminho para o massacre já começou pela depreciação: algum imbecil inventou o imbecilismo de que se trata de “ratos com asas”. O passo seguinte também já está dado: eles são nocivos à saúde pública, transmitem doenças terríveis segundo autoridades médicas conveniadas com o poder e o capital.

No que eles incomodam, é no cocô que deve ser limpo pelas prefeituras. Mas um mínimo de bom senso diz que a limpeza deve ser feita SEMPRE, independente da espécie que o produziu. Em Curitiba, por exemplo, tem muito mais fezes e urina de maloqueiros pelas ruas que dos pombos. Mas a tentação, politicamente correta, é culpar um animal indefeso e inventar uma bolsa-maloqueiro, que além do mais rende uns votos.

Provavelmente um pombo não produz, na sua vida inteira, a massa fecal que um humano produz num dia. Tanto que, depois de muito rebolar para evitar uma verdade evidente que contraria os mercados de consumo, culpando o gás dos sprays e as ovelhas da Nova-Zelândia e outros delírios humanísticos, agora já se admite: o rombo na camada de ozônio, que aumenta assustadoramente – tanto que se deixou de falar dele – é causado pelo gás metano que desprende da decomposição das fezes HUMANAS.

digitalizar0002venezia_1

Pombos: em Buenos Aires e Venezia são atração; no Brasil acredita-se no babaca que os chamou de “ratos com asas”

Mas paro por aqui, esse post está ficando nojento, só dá merda.

Minha idéia é apresentar total e irrestrita solidariedade às poucas pessoas humanas no sentido positivo que essa palavra ainda possa ter. Àquelas que não se intimidam ao serem presas, chamadas de ladrões e terroristas, depreciadas com apelidos – e continuam a fazer o que é justo, por não poderem suportar a idéia de que seres vivos sejam torturados por motivos “técnicos” e “aceitos por protocolos”.

Esses são humanos que nos fazem sentir um alívio em relação à nossa espécie de macacos mal resolvidos. Deixo a dica de um livro que, obviamente, nunca foi publicado no Brasil, nem busca em livrarias da Europa deu resultado.

Traduzo o texto do anúncio:

“Este livro desencadeou uma feroz polêmica antes mesmo da publicação.

HANS RUESCH

A IMPERATRIZ NUA

Quem é a “imperatriz nua”? É a ciência médica contemporânea, que por definição traz o progresso. Mas ai de quem levantar os olhos para ela, porque a descobrirá, exatamente “nua e horrenda”. Uma desapiedada e documentadíssima inquisição sobre a “pesquisa” baseada sobre inútil e atroz crueldade: a vivisecção. Inútil porque, explica Ruesch – médico e autor do conhecidíssimo “País das sombras longas” – o organismo dos animais reage, constantemente, de modo diferente do nosso. Um livro do qual se falará por muito tempo em todos os países.”

Menos no Brasil, é claro…

(Anúncio publicado na revista “Linus”, ano XII, nº132, março de 1976. Editora Milano Libri, de Milano, Itália)

digitalizar0002

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: