A SANTA FELICIDADE DE CURITIBA

28 de setembro de 2013 por keyimaguirejunior

Em 1978, eu e a Marialba percorremos uma dúzia de casas da tradição vêneta de Santa Felicidade para o boletim da Casa Romário Martins comemorativo do centenário da colonização italiana do bairro.

Agora, em 2013, refizemos o mesmo percurso, para ver como estão as coisas. Fora a reação de um senhor que varria a frente de uma calçada “… você fotografou essas casas trinta e cinco anos atrás?! Nossa, então é do tempo da colonização do bairro…”, fica a avaliação para quem quizer faze-la.

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Toda manhã, a Nonna Carolina Boscardin colocava um vaso de gerânio em cada janela – o que valeu à casa o apelido de “Casa dos Gerânios”. É particularmente importante pela posição privilegiada, numa curva à entrada do bairro – culturalmente, ela marca o início de Santa Felicidade.

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A Casa dos Arcos é o centrão de Santafê. É uma tipologia mais urbana, encontrada no centro das cidades vênetas, com sua “loggia” em arcadas.

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A Casa Culpi marca o “fim do bairro” para fins cênicos e culturais. Eu gostava mais quando havia aí um memorial da colonização italiana – que fim levou aquele acervo de ferramentas, objetos e documentos?

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Essa é das poucas que continua com o uso residencial. Fica em frente ao Cemitério Parque Iguaçú, e os cães não vêm mais receber os fotógrafos…

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Essa é importantíssima: algum italiano com o sangue do Giotto, fez um “fumetto”: história em quadrinhos, contando a história de seu grupo: uma paisagem alpina, uma nhundiaquarense, pelo meio um navio e outras cenas…

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Fico imaginando “os caras” que decidem essas coisas na Prefeitura combinando: “vamos sacanear essa casa velha, encher de poste e placa prá ninguém poder apreciar e fotografar”. Embora um pouco afastada das demais, e tendo perdido o interessante anexo da cozinha, é ainda um belo exemplar.

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Que pena, né? Isso era um mecanismo comum: quando o filho crescia, “il vecchio” fazia prá ele uma casa maior que a sua moradia, com um comércio. Perder essas coisas que a Arquitetura conta é lamentável…

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Casa à Rua Napoleão Manosso, reparem na marca do anexo da cozinha: no tempo dos fogões a lenha, era mais seguro te-la numa construção isolada. Quando o Boletim da CRM de 1978 chegou ao Vêneto, rendeu matéria do meu amigo Gianni Brunoro num jornal vêneto (L’Eco di Padova – 19 de setembro de 1979)- e ele achou que esta casa era a que correspondia melhor à tipologia da região dele.

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Observação: fotografei mais casas, mas acho que essas dão o recado. Algumas delas sofrem com o abandono, mas o grande problema do bairro é ter dado certo e ter sido inundado de kitsch.

Leitura recomendada:

-MAZZAROTTO, Ana Carolina & BATISTA, Fabio Domingos. Arquitetura italiana em Curitiba. Curitiba, Arquibrasil, 2013.

Outras recomendações:

-BANDELLONI, Enzo. La casa rurale del padovano. Padova, Programma, 1975.

-MAZZOTTI, Giuseppe. Le ville venete. Treviso, Canova, 1954.

– TIETO, Paolo. I casoni veneti. Padova, Panda, 1979.

-TREU, Piera et allii. Colli euganei. I luoghi della vita rurale. Padova, Programma, 2009.

– ZECCHIN, Fabio & GROSSI, Toni. Il conselvano. Padova, La Galiverna, 1982.

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