NA BOQUINHA DA GARRAFA

26 de agosto de 2013 por keyimaguirejunior

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     Nos meus tempos de leituras sobre Egiptologia, em algum lugar encontrei essa referência: ao deslocarem algumas daquelas pedras gigantescas durante uma pesquisa, os arqueólogos encontraram pixações – feitas, evidentemente, por escravos – com referências algo desabonadoras à conduta do faraó e seus familiares. Não quero complicar, mas o que significa um escravo dominar a escrita hieroglífica e ter notícias sobre o que acontecia com a família divina – visto que o faraó era deus?! De qualquer modo, minha fonte era confiável, e os impropérios dirigidos da base da pirâmide – arquitetônica e socialmente falando – em direção ao topo, têm significado iniludível. Lama das margens do Nilo na reputação do rei, na de sua genitora e na de sua consorte… isso através de milênios, não menos de cinco ou seis…

Nesse período, muita cuspida de baixo prá cima deve ter ficado escondida, para um dia ser descoberta, ou não, em obras faraônicas. Será que em algum lugar dos nossos estádios de futebol não estão ficando recadinhos malcriados para o futuro? É bem mais fácil, com nosso alfabeto arábico, do que foi com os hieróglifos.

Lembro de uma prática comum entre estudantes – gente irreverente e incontrolável – de, ao colar as curvas de nível de levantamentos de terrenos, escrever desacatos aos mestres mais, digamos, exagerados nos rigores na correção de trabalhos e atribuição de notas.

Claro que tanto escravos egípcios quanto estudantes brasileiros pensam que, em alguns milhares de anos, as pedras podem ser afastadas ou a maquete ser derrubada e abrir “naquela” curva de nível. Mas aí o faraó já morreu, a formatura já passou… e ficaram contribuições um pouco parciais, mas espontâneas ao famoso “veredicto da História”.

Como não costumamos ficar prá trás nesse tipo de coisa, temos em Curitiba vários “recadinhos para o futuro”, menos confiáveis porque, via de regra, patrocinados pelo faraó – ou sua versão democrática, visto que aí pelo meio andaram os gregos – os prefeitos. Menos divinos e menos confiáveis também…

Sei que há uma em algum lugar na Praça 29 de março e outra diante do Memorial dos 300 anos. Estarão lá se não houverem sido roubadas pelos vândalos. Sem contar as que podem surgir de surpresa, na base de alguma estátua… Mas do jeito como andamos insatisfeitos com nossos governantes, recomendo que sejam abertas secretamente e não em ato público. Se algum oportunista meteu um bilhetinho na hora de fechar alguma cápsula, as genitoras de alguns políticos vão ficar mais mal faladas que as dos juízes de futebol. Claro, daqui a muito tempo – o que, pensem bem, é pior ainda…

Observação sobre as imagens: nos anos sessenta, existia um filme da Perutz para slides em B&P. Tinha baixa sensibilidade – 25 ASA – e dava fotos magníficas.

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