PARANISMO RESIDUAL

25 de agosto de 2013 por keyimaguirejunior

PARANISMO RESIDUAL

                        O Paranismo deixou bem escassa herança na Arquitetura, em que pese sua importância conceitual.  O item principal é, sem dúvida, o padrão de algumas calçadas de logradouros de Curitiba.

Conta Lange de Morretes, um dos principais artistas do movimento:

“Uma bela noite me foi dado fixá-las [as proporções da araucária] numa fórmula geométrica, saindo assim do empirismo em que até então se encontrava a nossa ornamentação paranista. (…) Lamento não poder fixar a data, que suponho ter sido em maio de 1930, porque a Illustração Paranaense de 31 de julho de 1930 reproduzia um desenho meu…” (“O Pinheiro na Arte”, na “Ilustração Brasileira” nº 224, dezembro de 1953, comemorativa do Centenário da Emancipação Política do Paraná.)

Fico devendo as datas de pavimentação da Rua XV e da Praça João Cândido, aquela antes desta, mas é das décadas que antecedem as comemorações do dito centenário, rescendendo a ufanismo de Estado novo rico.

A “Ilustração Paranaense” é a herança artística por excelência do movimento, pedindo por urgente republicação facsimilar integral. (Recomendo a matéria da Gazeta do Povo de      ). Mas foi pouca a assimilação por parte dos construtores de então, talvez pela sua pouca duração.

Por isso mesmo, deveríamos cuidar desses testemunhos com carinho – o que é claro que NÃO estamos fazendo. Vão aí alguns exemplos coletados sem método.

Imagem                 Essa “Villa” fica – ou ficava – na rua Dr.Pedrosa, início do Batel.  Faz tempo que não passo por lá, com medo de que tenha dado lugar a mais um “empreendimento imobiliário” tão inexpressivo como os demais do entorno.

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Essa é uma coleção de rosáceas baseadas no pinhão. A do piso da Praça João Cândido, baseada, como as da Rua XV, nos estudo de Lange de Morretes, autor também da seguinte. A outra, de desenho mais solto, é do Poty, num magnífico desenho-projeto de mural para um parque do qual nunca mais ouvi falar: o da “Gralha Azul”.

Imagem                 Tanto interna quanto externamente, este sobrado da Rua XV marca o cenário ecletico com a estética paranista. Constantemente agredido pela propaganda, pede por um uso cultural. Que tal “A Casa do Paraná”, para reunir o acervo dos artistas do Movimento Paranista? O momento é bom, afinal o Turin foi recentemente beatificado…

Imagem                O Cid Destefani tem uma foto que mostra as colunas paranistas de João Turin em casa já demolida na Rua José Loureiro. Então ilustro este post com uma de minha autoria, feita para usar em vários dos projetos inconstrutíveis que perpetrei.

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                Há pouco tempo, passear no cemitério era considerado apenas necrofilia arquitetônica. Mas agora, é atração turística, com direito à Clarissa Grassi como guia. A seguir, um dos túmulos mais interessantes, com estética paranista bem evidente.

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E mais uns exemplos decorativos, mas nem por isso de menor interesse: entendo que são uma adesão espontânea à estética paranista, à margem do movimento em si. Mas isso fica por demonstrar.  Esqueci de anotar o endereço desta casa, com araucária em lugar de honra – e como faz muito tempo, acredito que não exista mais, nem há possibilidade de resgatar a localização. Acho que era na Rua 24 de Maio ou alguma paralela. E um portão, ainda resistindo à ferrugem, à Rua Desembargador Mota.

 Rio dos Pinhões

                Concluindo, entendo que uma estética paranista não precisa de um movimento, precisa de artistas e arquitetos que acreditem nela. O Memorial dos Trezentos Anos de Curitiba é um exemplo disso – gosto particularmente desse detalhe, o “Rio de Pinhão”.

Alguma bibliografia

– Coleção da “Ilustração Paranaense” da Biblioteca Pública do Paraná. Como dito antes, pede por uma reedição facsimilar completa em regime de urgência.

– A edição da “Ilustração Brasileira” referenciada no texto.

– PEREIRA, Luis Fernando Lopes. Paranismo: o Paraná inventado. Curitiba, Aos Quatro Ventos, 1997.

– Dois textos de Ana Maria Burmester e Chico Paz, na Revista da APAH, que coloco aqui assim que achar.

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