AUTOBIOGRAFIA (AINDA) (MUITO) PRECOCE

20 de maio de 2013 por keyimaguirejunior

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Sou um produto cem por cento UFPR. Vejamos.

Meu avô paterno, Yaichi, chegou com a primeira imigração japonesa, em 1907. Estabeleceu-se inicialmente em Santos, com uma indústria pesqueira, e aí nasceu meu pai. Depois andou trabalhando pelos interiores de São Paulo e Paraná. Quando o filho mais velho – isto é, meu pai – chegou na idade de cursar faculdade, veio para perto de Curitiba onde brotara, em 1914, a UFPR.

Já minha avó materna – meio lusitana, meio cruca – era de Floripa e tinha sete filhas. O quê passou pela cabeça da perspicaz senhora? Ora essa, mudar para uma cidade cheia de estudantes promissores – digamos, Curitiba com a UFPR – e montar uma pensão para casar todas elas.

Bem, deu tudo certo tanto que, em 1946, nasci. Vejam vocês o que é a Força do Destino: em pleno Setor Histórico, na casa à sombra da FCC, diante do “Cavalo Babão”… Quando eu tinha cinco anos de idade, mudamos para a quadra de cima, ao lado da Sociedade Garibaldi – e aí começa a influência italiana em minha vida.

Fui matriculado no Martinus e aí fiquei por dez anos: pré, primário e ginásio, na nomenclatura da época. Único par de olhos puxados entre os loiros arianos…

Daí, para o Colégio Estadual do Paraná, onde cursei as “Ciências Matemáticas”, o chamado nível colegial. Fui presidente do CECEP – o Centro Estudantil – e essa passada pelo grande CEP muito me orgulha. Como a todos nós, que o conhecemos nessa época.

Em 1966, fui aprovado no vestibular da UFPR, para o recém criado Curso de Arquitetura e Urbanismo. Eu e o prof.França empatamos na maior nota no concurso daquele ano.

A “sina” UFPR se consolidava – demorei seis anos para fazer o curso (ver biografia do prof.Aloisio…) ao mesmo tempo em que estagiava no IPPUC e escritórios de Joel Ramahlo e Domingos Bongestabs.

E aqui cabe um esclarecimento.

Quando estagiava no IPPUC, conheci o Domingos Bongestabs – notório traficante de gibi, que me levou a esse vício. Tendo trabalhado por alguns meses em seu escritório, assinamos a “Linus”, revista italiana que mudou a história da literatura gráfica no planeta.

Eu era tão fanático por gibi que coloquei um anúncio nessa revista, pedindo correspondentes para trocar mais revistas. Resultado, até hoje, passados quarenta anos, ainda tenho amigos decorrentes desse anúncio: Pier Paolo Olivieri – que nos leva a passeios inacreditáveis pelo País Mais bonito do Mundo – e Gianni Brunoro.

Mais tarde, quando a coordenação da CRM, comecei a falar em Gibiteca – isso já era 1977 – idéia que vagou por aí e acabou vingando em 1982, artes do Aramis Millarch. E que me valeu o convite para integrar o júri do Salão Internacional de La Caricature de Montréal em 1988 sob a presidência de ninguém menos que (desculpem a falta de modéstia) Will Eisner.

Mas voltemos a 1972, quando me formei. Atendendo a sugestão do prof.Cyro, fiz concurso e fui aprovado em 1973 para Auxiliar de Ensino de Arquitetura Brasileira. Ao mesmo tempo, comecei a trabalhar com a Aresta, empresa de restauro que quase fiz falir com meus notórios dons empresariais. Também fui convidado para coordenar a Casa Romário Martins, que ninguém sabia para que servia e levei com minha equipe para as funções que atualmente são da Casa da Memória.

Foi aí que conheci e logo depois casei com a Marialba, e a Itália ficou consolidada na minha vida. Ela era minha estagiária, sim, mas vocês não tem nada que ficar pensando besteira. Isso foi em 1981, em 1984 nasceu nosso filho Key San – atualmente, formado em Engenharia Florestal. Pela UFPR, é claro.

1989

Todo esse tempo, estive na UFPR. Acabei por me livrar de todos os empregos – cheguei a ter cinco ao mesmo tempo – e pedi regime de dedicação exclusiva na UFPR. Fiz mestrado em História do Brasil – uma das boas coisas da minha vida, nunca aprendi tanto. Minha dissertação “Arquitetura no Paraná; contribuição Metodológica à História da Arte” foi orientada pela profa.Cecilia Westphalen. Foi uma tentativa de balizar uma futura História da Arquitetura no Paraná. Em 1981, nada havia de publicado sobre Arquitetura Paranaense, nem trabalhos acadêmicos para suporte. Fui o primeiro professor do CAU a fazer mestrado.

Fui queimando as etapas da carreira acadêmica, e em 1993 tornei-me Professor Titular de Arquitetura Brasileira com a tese “A Casa de Araucária: Arquitetura Paranista”, publicada em 2012 com aportes de outros professores. Era um interesse antigo, sobre o qual eu escrevera artigos em revistas e que ficou mais marcado nesse momento. Ouço dizer que somos menos de vinte os professores titulares na UFPR.

Em 1999, concluí o doutorado, com orientação de ninguém menos que a profa.Ana Maria de Oliveira Burmester. A tese – outra coisa boa da vida – foi “O espaço burguês: arquitetura eclética em Machado de Assis”.

Como ficou dito no início, sou totalmente um produto UFPR. Embora tenha muito apronto aí pelas entrelinhas: quem tiver paciência, pode consultar meu currículo.

OBSERVAÇÃO: em 2007, o céu caiu sobre minha cabeça. Em uma conjuntura complicada, tive que assumir a chefia do Departamento de Arquitetura e Urbanismo como decano. Era um “mandato tampão” felizmente de poucos meses, e com pouca margem a inventar moda. Mas uma delas, foi a tentativa de fazer com que os professores fossem mais conhecidos dos estudantes, com uma biografia sumária no Jornal Mural de Arquitetura Brasileira. Uns pouco professores o fizeram – inclusive, é claro, eu…

Na primeira foto, estou diante de uma banca de revistas em Russe, na Bulgaria, procurando gibi.Foto da Renata Capdeville. A segunda, é a FOFI (Foto Oficial da Familia Imperial) de 1986.

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