RELEASES DE LIVROS

8 de maio de 2013 por keyimaguirejunior

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         1 – IGREJAS UCRANIANAS: ARQUITETURA DA IMIGRAÇÃO NO PARANÁ. Fabio Domingos Batista, Marialba Rocha Gaspar, Sandra Rafaela Magalhães Corrêa. Curitiba, Instituto Arquibrasil, 2009. Patrocínio Petrobrás.

Este é um livro sem deslize: tudo foi feito como deve ser. Identificado que a contribuição arquitetônica da etnia ucraniana à cultura do Paraná era pouco conhecida, foi proposto projeto à Lei Rouanet e, tendo sido aceito, a Petrobrás o patrocinou.

A amostragem de duzentas construções foi o recorte obtido junto aos bispos latinos e ortodoxos. Foram todas visitadas, fichadas e fotografadas, segundo os critérios vigentes. Desse universo, foram selecionadas 25 unidades, priorizando as construções em madeira – mais sujeitas à desaparição – e aquelas que se evidenciavam como mais valorizadas pela própria etnia.

Essas passaram, então, por levantamento arquitetônico, histórico e fotográfico completo pelas equipes de pesquisa. Complementarmente, estudou-se de forma sumária os complexos fatores religiosos, políticos e culturais que determinaram o fenômeno migratório dos ucranianos para o Paraná – sendo Prudentópolis a maior comunidade fora da Ucrânia. O objetivo era identificar, ao menos parcialmente, a sobrevivência da cultura arquitetônica trasladada para terras brasileiras.

O trabalho cumpre com sua finalidade de preservar os monumentos pela valorização e pela documentação, e como tal foi muito bem recebido pela comunidade: o Ministro da Cultura da Ucrânia veio a Curitiba atribuir um diploma aos autores. Também sua importância no contexto patrimonial brasileiro é reconhecida.

Pode ser encontrado: Livraria da Casa Artigas, Banca Nanicão (Travessa Nestor de Castro) e Itiban Comic Shop.

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     2 – A CASA DE ARAUCÁRIA, arquitetura da madeira em Curitiba. Key Imaguire Junior, Marialba Rocha Gaspar, Fabio Domingos Batista, Andréa Berriel. Curitiba, Instituto Arquibrasil, 2011. Patrocíno: Volvo do Brasil, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

Em seu primeiro volume, é identificada a Casa de Araucária no contexto da produção madeireira paranaense, seu surgimento na virada do século XIX para o XX e suas características. Com base em trabalho anterior, é proposta uma tipologia preliminar, explicada com desenhos esquemáticos. Na segunda parte, são apresentadas casas especiais, seja pela circunstância da documentação antes da demolição; seja por terem sido trasladadas para fins de preservação. Em ambos os casos, trata-se de unidades atípicas em sua concepção e construção.

O segundo volume particulariza alguns aspectos  especiais. Caracterizando uma arquitetura popular, o autor estuda seu uso seriado, em conjuntos habitacionais, como os construídos pela RFFSA. E chega à negação da casa de madeira, pelo seu revestimento com placas que aparentam alvenaria.

No terceiro volume, são priorizados os aspectos construtivos, com vista a um resgate do uso da madeira na arquitetura contemporânea. Partindo da Casa de Araucária como acervo cultural popular, desenvolve considerações sobre a adequação ambiental da madeira como material construtivo, e seu potencial para o projeto arquitetônico.

O trabalho recebeu duas premiações: o Rodrigo Melo Franco de Andrade, do IPHAN; e a do Museu da Casa Brasileira.

Pode ser encontrado na Livraria da Casa Artigas.

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3 – Acervo documental do gabinete de Arquitetura Brasileira. Key Imaguire Junior e Nadia Cibele Besciak. Curitiba, Editora da UFPR, 2011.

Por mais incrível que pareça, a mais antiga universidade brasileira não valoriza seu patrimônio documental. Existem muito acervos pontuais, mantidos principalmente como material didático. Mas isso significa que alterações tecnológicas – como o surgimento do equipamento digital – pode produzir sua perda total.

A disciplina Arquitetura Brasileira englobava, até reforma curricular do Curso de Arquitetura e Urbanismo nos anos 90, noções de preservação do patrimônio arquitetônico. Donde, uma preocupação desde os inícios do CAU, em 1964, com a documentação de apoio à pesquisa. Foram então produzidos pelos estudantes muitos levantamentos, maquetes, pesquisas, recolhimento de testemunhos, fotografias, desenhos.

O receio que esse material se perdesse – como é prática corriqueira e tradicional – levou à elaboração deste trabalho, cujo sentido é tornar o acervo conhecido, utilizado e valorizado.

Cada secção – levantamentos, maquetes, painéis, testemunhos, pesquisas – está listada geograficamente, para facilitar consulta e pesquisa.

Acrescentou-se uma secção com fotos de antigas cadeiras de imbuia, recolhidas nas salas de aula do Centro Politécnico, que se percebia em iminente risco de desaparição. Esta coleção poderá subsidiar trabalhos na área de design, tendo sido exposta na inauguração do Museu Oscar Niemeyer.

O livro pode ser encontrado nas livrarias da Editora da UFPR.

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 4 – GIBITECA DE CURITIBA, A PRIMEIRA DO BRASIL

O livro “Gibiteca de Curitiba” foi começado há exatos 40 anos, quando na Europa gente do peso do Umberto Eco escrevia textos sobre os abominados – no continente americano – gibis. Abominação que tinha como patrocinadores revistas do tipo das “Seleções do Reader’s Digest”, que divulgavam as idéias de um médico americano chamado Fredric Wertham em “The seduction of the innocent”. Livro nunca publicado, ao que eu saiba, no Brasil.

Mas na velha e sábia Europa, principalmente na Itália, eram publicadas revistas de alto nível como Linus, Eureka e Il Mago – prá ficar só nas mais conhecidas – e que até hoje são de matar de inveja, porque nunca chegamos perto disso.

Elas publicavam a produção contemporânea, mas também matérias de crítica e avaliação, resgates históricos, propostas de novos quadrinhos – não por acaso, a Itália achou seu caminho, e é hoje um dos melhores mercados de gibi do planeta. E tudo com um padrão gráfico esplendoroso.

Estabelecer contato com autores e colecionadores europeus me fez entender o quanto éramos uns trogloditas em matéria de gibi.

Foi quando, nos anos setenta, tive a oportunidade de participar da “Casa de Tolerância” e tomei conhecimento da impossibilidade de acesso e quase bloqueio dos autores brasileiros a esse mercado editorial. O domínio dos “syndicates” americanos era praticamente absoluto, e surge a idéia de uma unidade cultural para trabalhar com isso. Uma instituição onde os quadrinistas e cartunistas pudessem se encontrar para tramar como dominar o mundo usando papel e tinta nanquim. Valendo cursos, oficinas, palestras, exposições, publicações, raio da morte e o mais que pudessem usar.

Em outras palavras, uma Gibiteca.

O presente livro, começamos pelas tradições quadrinísticas regionais, demonstrando que em Curitiba se produzia HQ – ainda que MUITO discretamente – desde fins do século XIX. Mencionamos a contribuição dos alemães que, na década de trinta publicaram aqui interessantes álbuns; e Alceu Chichorro, decano do cartum e do quadrinho na cidade, num percurso de meio século. Nos anos setenta, nas águas do resgate europeu das HQ, também tivemos nossas iniciativas: exposição na EMBAP, o livro “Gibi é coisa séria”, o 8º Encontro de Arte Moderna, o boletim “Gibitiba” – e a citada “Casa de Tolerância”.

Esta foi a representante curitibana no chamado “ciclo das revistas alternativas e é a partir de suas dificuldades que surge a idéia da Gibiteca.

No capítulo em que se fala de sua origem e evolução, contamos como surgiu em 1982; como mudou para a Casa da Baronesa em 1989; como hospedou a Mostra da Bienal de HQ do Rio de Janeiro; depois embalou nos Festivais de Fanzines e inúmeras (mesmo!) palestras, oficinas, cursos, publicações… enfim, cumpriu e cumpre suas duas finalidades essenciais: prestigiar os autores locais que queiram se lançar na aventura de produzir quadrinhos e educar o público leitor.O evento Gibicon é o atestado de maioridade da Gibiteca de Curitiba.

A editora Grafipar não é uma seqüência desses acontecimentos, embora se insira na tradição curitibana de artes gráficas. Foi apenas mencionada, em vista de pesquisas sendo feitas por de outros autores.

Em vista das atuais instalações serem consideradas insuficientes, o capítulo final é sobre as várias propostas arquitetônicas existentes para uma sede definitiva.

A proposta do trabalho foi de Nira de Oliveira – autor do DVD que integra o livro, com depoimentos – e de Logan Portela – autor da interessante programação visual com uma estética que remete às graphic novels. O texto foi estruturado com base na documentação iconográfica existente, demonstrando que a presença de uma gibiteca pioneira, em Curitiba, não é casual. O patrocínio do trabalho e da publicação é do Grupo Positivo.

Houve o lançamento na Gibicon, na Gibiteca, na Casa Artigas e na Itiban – nessas duas, a publicação ainda está à venda.

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