BURACOS NEGROS NA HISTÓRIA DA ARQUITETURA NO PARANÁ – 2

15 de abril de 2013 por keyimaguirejunior

ImagemAS “VILLAS” BURGUESAS

A grande dificuldade em estabelecer uma amostragem para o estudo das “villas” curitibanas é encontrar um recorte metodologicamente eficiente e teoricamente convincente. A circunstância de existirem alguns agrupamentos geográficos – Batel, Alto da Glória, Mercês, São Francisco – é ilusória, o universo é maior e mais complexo do que isso.

A própria abordagem da moradia de uma classe social, independente de ciclo econômico ou tendência arquitetônica comporta riscos quanto à compreensão das nuances de afinidades e antagonismos, gostos e opções estilísticas, inserções e exclusões dinásticas e sociais, tempos e lugares. São complexidades a serem estruturadas metodologicamente, evitando um empobrecimento com exclusão de dados e construções importantes.

Por outro lado, do ponto de vista da construção do patrimônio cultural da cidade, o estudo e documentação das “Villas” burguesas é urgentíssimo. Localizadas em “locais de fácil estacionamento”, esse crime urbanístico, em grandes e tentadores terrenos de alto valor imobiliário, são vítimas fáceis do imobiliarismo. Em dois sentidos principais: primeiro, pelos custos de manutenção e altas taxas prefeiturais; segundo, pela lucratividade da verticalização. Também para a prefeitura são estorvos, visto que o adensamento e a verticalização multiplicam a arrecadação.

Mesmo sua repaginação “para fins comerciais” é agressiva, visto não terem sido concebidas nem construídas para o desgaste do uso empresarial.

No entanto, é arquitetura de alta representatividade: nela, as formulações do Ecletismo encontram sua melhor expressão, a mais moderna e construtivamente avançada de seu tempo. Aí se encontra a transição para a tecnologia para o Modernismo, tanto formal quanto tecnicamente.

Construídas por pessoas e famílias abastadas, configuram uma busca de conforto, ostentação social e erudição no sentido burguês da sofisticação e do cosmopolitismo. Permitir que desapareçam – ou sejam descaracterizadas – será perder um momento de síntese e sincretismo cultural ao qual comparecem todas as vertentes do fim do século XIX e se anunciam as do XX.

Bibliografia preliminar

1 – LEMOS, Carlos A.C. Alvenaria burguesa. São Paulo, Nobel, 1985.

2 – LEMOS, Carlos A.C. Ramos de Azevedo e seu escritório. São Paulo, Pini, 1993.

3 – NACLERIO HOMEM, Maria Cecilia. O palacete paulistano. São Paulo, Martins Fontes, 1996.

4 – NACLERIO HOMEM, Maria Cecilia. Vila Penteado. São Paulo, USP, 1976.

5 – WEIMER, Günter. Theo Wiederspahn. Porto Alegre, Edipucrgs, 2009.

6 – WOINAROSKI, Cristina (org). Lotizarea si Parcul Ionid. Bucuresti, Simetria, s/data.

Foto: casa do ervateiro Ascanio Miró, em Curitiba. Demolida.

 

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