DISCURSO DE BUCAREST

12 de fevereiro de 2013 por keyimaguirejunior

Conferência na Bienal de Arquitetura de Bucarest  16/10/12

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  Agradeço às diretoras da Bienal, arquitetas Elena-Codina Dusoiu e Cristina Gociman, pelo convite para este evento. Agradeço à minha casa profissional, a Universidade Federal do Paraná, por viabilizar minha presença aqui.

O que é qualidade em Arquitetura?

O que aqui apresento são reflexões de um professor brasileiro que teve, como opção acadêmica, dialogar com os estudantes sobre seu futuro profissional.

Não há dúvidas sobre algumas investigações e experiências que deverão ocupar centralmente os novos profissionais:

– as mais avançadas tecnologias, que trarão novas maneiras de projetar, construir e utilizar a Arquitetura;

– o planeta não pode prescindir da contribuição dos arquitetos e urbanistas com ecologia e sustentabilidade. Esta é uma área de pesquisa prioritária para novos talentos;

– há muitos outros caminhos, que não é o caso de abordar neste momento.

A preocupação que eu gostaria de assinalar com mais ênfase, é quanto à paisagem que a Arquitetura define para as cidades. Não falo aqui dos arquitetos como urbanistas, mas como autores de projetos para construções individuais. Esta é talvez a maior produção atual: a chamada “produção para o mercado imobiliário”. É a Arquitetura mais presente nas cidades, aquela que define suas fisionomias.

Este é o centro da minha questão:

os mercados imobiliários praticam uma Arquitetura medíocre.

Não estamos nos referindo às obras – infelizmente muito poucas – dos arquitetos que fazem grandes e expressivas obras governamentais e para corporações às quais interessa uma imagem visual forte.

Pensamos e nos preocupamos com os milhares de construções inexpressivas que surgem diariamente nas cidades – e tornam nosso cotidiano desagradável, uma verdadeira navegação no mau gosto.

São construções definidas pelas regras do mercado imobiliário, de parâmetros apenas financeiros. Os arquitetos são obrigados a seguir tais regras – ou não terão acesso aos projetos. Milhares de arquitetos chegam anualmente ao mercado de trabalho, dispostos a sobreviver com o sacrifício da própria capacidade e da Arquitetura mesma.

Como professor de um prestigioso Curso de Arquitetura brasileiro, ao longo de 35 anos, ajudei a formar arquitetos realmente talentosos e competentes, capacitados a projetar edifícios de real valor funcional, espacial, cultural e estético. Assisti, com tristeza, à sua anulação profissional. Aceitaram a mediocridade das regras de mercado – ou se tornaram empresários de bares e restaurantes, onde ainda se pode trabalhar diretamente com os clientes.

Esta preocupação nos levou à dedicação à História da Arquitetura – que é mostrada nos painéis expostos aqui na Universidade Ion Mincu.

(Foram apresentados os dez painéis, demonstrando a especificidade da Arquitetura em Curitiba, da formação urbana e contribuição dos imigrantes até depois do Modernismo.)

Nosso objetivo foi demonstrar o quanto a Arquitetura é o retrato da sociedade que a gerou. Pergunto: nossa sociedade deixará como herança essa massa de construções inexpressivas e kitsch, mediocridade construída?

O mercado deve se ocupar das questões financeiras  que são seu trabalho. Todas as opções e decisões referentes ao projeto e à obra de Arquitetura pertencem ao arquiteto.

Grato pela atenção!

Foto: Marialba Rocha Gaspar

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